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Vai um CMS aí?

Dias desses, recebi a solicitação de um cliente: “Gostaria de mudar o sistema do nosso site. […] Recentemente, fiquei sabendo de um programa que permite que a atualizações sejam feitas de forma simples e descomplicada”. Sem pensar muito, respondi: “[…] se permite uma observação, ‘simples e descomplicada’ só a propaganda”.

Não sei o que ele achou da resposta, vou me reunir com ele ainda, só então saberei o que ele achou da minha observação, ou se vou levar um cartão vermelho. De todo modo, isso trouxe à tona uma inquietação que me incomoda há algum tempo: até que ponto um CMS torna as vidas de cliente e prestador de serviço mais fácil?

A questão é delicada e envolve algumas variáveis. A adoção de um CMS traz, de fato, praticidade, as atualizações podem ser feitas por qualquer pessoa, desde que seja devidamente capacitada, o conteúdo é ajustável ao layout. Ou seja, o resultado é bastante promissor, mas, na minha modesta opinião (infelizmente), utilização nunca é simples e descomplicada.

CMS’s, (Content Management Systems ou sistemas de gerenciamento de conteúdo) atualmente, são uma tendência e um estímulo para que o site fique mais “dinâmico” e esse estímulo faz com que os mesmos tenham, cada vez mais, recursos e isso torna os sistemas, de um modo geral, mais difíceis de se utilizar. E isso é válido para o cliente? Vai depender do quanto o cliente quiser investir em tempo para se dedicar à produção de conteúdo para o site.

A adoção de um CMS gera um custo maior tanto no desenvolvimento do site quanto no treinamento para uso do mesmo. Se o cliente tende a produzir conteúdo com certa periodicidade, o CMS pode se revelar uma solução definitiva, até porque os mesmos dispõem de inúmeros recursos adicionais (plugins) que permitem ao site ser cada vez mais funcional. Além disso, site atualizado constantemente gera índice de visitação bem maior.

Entretanto, essa solução não é para qualquer site, não porque os outros sejam tão pobrezinhos a ponto de não merecer a dádiva. É uma questão de projeto. Há sites que são projetados para ter um conteúdo mais dinâmico e que necessitam de um CMS. Entretanto, há outros em que a solução simplesmente não cabe, eu costumo chamar esses de sites referenciais. São aqueles que necessitam existir e figurar em buscadores, servem para divulgar o cliente, servem como forma de contato, ou seja, uma referência na rede, mas não vão além disso. Quando o cliente tem ciência desse “destino”, fica feliz com o resultado. Isso não significa que o site deva ser simplório, medíocre.

De outra forma, às vezes a temática sob a qual o site é desenvolvido pede que seja adotada uma solução que permita atualizações de forma mais rápida, que não se tenha que intervir diretamente no código html o tempo todo, que não haja necessidade de subir arquivos para o servidor remoto o tempo todo, enfim, uma solução para cada caso.

Ter essa noção de limites é fundamental ao contratar o prestador de serviço. Às vezes o mesmo, com o objetivo de querer oferecer o melhor, pode sugerir uma solução equivocada ao cliente e este, por sua vez, além de pagar mais, não vai se utilizar de todo o potencial que um CMS pode dar. Do contrário, constantes solicitações ao prestador de serviços acerca de alterações pode gerar atrito, desgaste de relação e até o rompimento da relação. Aprendi isso por experiência própria.

Mas e a “forma simples e descomplicada”? É uma afirmação verdadeira, se comparada à interferência direta no código html. Entretanto, a forma simples corresponde ao arroz-com-feijão, tentar incrementar o prato significa uma boa dose de dor-de-cabeça para o desenvolvedor, porque a forma simples leva o cliente a, naturalmente, esperar mais da aplicação e a limitação pode frustrar o mesmo.

O que fazer? Acredito que a solução esteja no planejamento. Gastar tempo planejando favorecerá muito o resultado, pois os detalhes serão pensados e calculados. Uma outra dica é informar o cliente sobre o que a aplicação faz e não faz, lembrá-lo que o layout do site foi criado para determinado objetivo e que, portanto, a aplicação será adaptada para o mesmo. Fugir do planejado implicará em retrabalho e custos extras. Reflita: Essa mudança é realmente necessária?

Enfim, adotar (ou não) um CMS é uma decisão que deve levar em conta vários aspectos, mas a principal delas é perguntar ao cliente: você realmente vai precisar disso? O resultado pode ser um tremendo ganho de qualidade, ou uma tremenda enrascada. Pesquise sem moderação antes de decidir.

A saga do prestador de serviços – parte 1

Webdesigner/desenvolvedor versus cliente

Os serviços de criação e desenvolvimento web são oferecidos no Brasil há mais de uma década e meia. Empresas começaram a buscar especialização neste campo, serviços passaram a ser oferecidos e o mercado cresceu, tanto que acabou inflando e ficou competitivo demais, saturado. Mas, com tanta mão-de-obra disponível, qual o perfil do cliente hoje?

Com mais de dez anos de experiência na área de criação e desenvolvimento para web, até hoje me pergunto: qual o perfil dos meus clientes? Qual o grau de conhecimento deles acerca da Internet? Qual o nível de interatividade possuem com a rede? De que forma eles a usam para gerar/complementar receita a seus negócios? E, por fim, o quanto eles valorizam o profissional responsável por trazem o negócio deles para a rede?

Quando analiso os fatos, concluo que o resultado é, no mínimo, frustrante. Meus clientes, e creio que este seja apenas um pequeno rol que representa a grande maioria dos clientes brasileiros, se pautam basicamente pelo investimento financeiro. Para eles, o melhor negócio resume-se na eficácia máxima com o mínimo de investimento, o maior lucro gerado com o menor valor investido. É cultural, é o jeito brasileiro de atuação no mercado. Com base neste cenário, os prestadores de serviço concorrem entre si tentando oferecer o melhor serviço ao menor custo possível. Dentre esses, me incluo.

Quando digo “oferecer um serviço com baixo custo”, me refiro a oferecer um serviço interessante ao cliente com um preço acessível, algo palpável, para que o mesmo aceite e fique satisfeito com o resultado (isso me gera portifólio, tenho interesse nessa relação e faço minha parte). Mas, nem sempre isso ocorre, e por quê? Isso ocorre por um motivo que acredito ser básico: o cliente conhece pouco sobre o ambiente e as ferramentas em que pretende investir. Isso mesmo, em boa parte das vezes, o cliente é completamente leigo e, sendo leigo, qualquer proposta é viável. Se qualquer proposta é viável, em qual (ou quais) parâmetro(s) ele vai se basear para contratar um serviço? O custo. E apenas o custo, porque o benefício desse custo ele ainda não conhece. E, por mais que o prestador de serviço se esforce para mostrar-lhe os (possíveis) benefícios do investimento, são apenas argumentos que poderão se concretizar com o tempo, conforme o cliente aderir à utilização do ambiente virtual e acostumar-se com o mesmo, ou não.

Tento estudar e compreender essa icógnita, mas é difícil. O cliente quer bons resultados, mas quer investir pouco, ou seria, segundo ele: o necessário. Enfim: é possível trabalhar com prestadores de serviço que cobram menos e ter um resultado satisfatório? Acredito que sim. Porém, ao adotar essa postura, é necessário que o cliente se preste a entender os mecanismos de funcionamento da rede, os aplicativos e ferramentas, a filosofia de uso e passe, efetivamente, a utilizá-los sob a orientação do prestador de serviços. Sim, render-se à orientação do prestador de serviços. Afinal, será mais caro se o prestador tiver de fazer todo o trabalho. Mas o cliente reconhece o trabalho e o esforço do prestador e a parte dele na relação, a chamada: parceria?. Infelizmente, na maioria das vezes, não. Em geral, ele acha caro o valor e, dependendo da situação, acha que pode cuidar de tudo sozinho e diz: “quero apenas o site, bem simplizinho e que eu mesmo possa atualizar”. Como se essa fosse a tarefa mais fácil do mundo. Acredite, não é! Por acaso isso já aconteceu contigo, webdesigner/desenvolvedor?

A partir deste post, pretendo criar uma pequena série na qual discutirei o assunto, fornecendo exemplos e também dando a mão à palmatória no que diz respeito às minhas falhas. Espero poder ler comentários de outros profissionais, inclusive de outras áreas. Não sei porque, creio que há muito a compartilhar e desabafar.