sociedade e mídia
Dez falsos motivos para não votar na Dilma
by Marcelo Muraro on ago.03, 2010, under mídia, sociedade, sociedade e mídia
Quando criei este blog, procurei levar ao máximo o slogan “Idéias e inquietações no mundo virtual”. Por este motivo, publico poucos posts pela falta de tempo em encontrar temas e/ou motivos relativos ao tal slogan. Porém, outras coisas e idéias também me inquietam, uma delas é a política, e como. Jurei não me pronunciar a respeito das eleições este ano, mas depois de receber este texto do Jorge Furtado (fundador da Casa de Cinema de Porto Alegre e diretor do curta “Ilha das Flores”, além de “Saneamento Básico” e “Meu Tio Matou um Cara”, entre outros), não me contive. Dei uma busca no Google e vi que o mesmo foi postado em vários blogs. Será postado neste também. É, sem dúvida, um ótimo roteiro pra rebater algumas bobagens que andam circulando por aí. Enviei o mesmo pro meu pai (serrista convicto) e disse a ele: “encaminhe se achar relevante ou rebata com algo mais relevante, acaso encontrar”. Boa leitura:
Dez falsos motivos para não votar na Dilma
(
por Jorge Furtado – publicado em 25 de julho de 2010)
Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.
Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)
Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.
Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.
1. Alternância no poder é bom.
Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre
a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.
2. Não há mais diferença entre direita e esquerda.
Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas” , como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.
3. Dilma não é simpática.
Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.
4. Dilma não tem experiência.
Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.
5. Dilma foi terrorista.
Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.
6. As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano.
Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.
7. Serra vai moralizar a política.
Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista “no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC” foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela Operação Sanguessuga. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais
corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com engavetador da república, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de mensalão foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no mensalão do DEM. Roberto
Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.
8. O PT apóia as FARC.
Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências
ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?
9. O PT censura a imprensa.
Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país” . Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.
10. Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra.
Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.
(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.
- Geração de empregos: FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões
- Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares
- Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões
- Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos
- Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78
- Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de
dólares positivos.
- Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%
- Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%
- Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%
(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:
José Serra começou sua campanha dizendo: Não aceito o raciocínio do nós contra eles, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.
Fonte: Casa de Cinema - Porto Alegre/RS
Ontem, Orkut e hoje?
by Marcelo Muraro on dez.27, 2008, under mídia social, sociedade e mídia
Aproveitei as férias de fim de ano para dar aquela geral no escritório, arrumar a bagunça, separar o lixo e resolver pendências necessárias para começar o próximo ano um pouco mais leve, ou pelo menos tentar. E umas das coisas que acabei fazendo foi desenterrar minha conta no Orkut, que não usava há vários meses.
Normalmente não gosto de acessar o Orkut, porque perco muito tempo fuçando, procurando pessoas, vasculhando redes de amigos e quase nunca encontro algo que seja realmente interessante. Entretanto, essa atividade me fez refletir sobre a evolução dos aplicativos de mídias sociais: o que foi e o que está sendo.
Notei que o Orkut evoluiu pouco de alguns anos para cá, não teve grandes novidades, mas o impacto causado pelo mesmo foi semelhante à chegada do e-mail. Até hoje, sempre tem alguém que me pergunta: você tem orkut? Da mesma forma como ocorria acerca de uma década: você tem e-mail?
Repare que esse tipo de pergunta não ocorre mais em relação a outros aplicativos que sugiram depois do orkut. Alguém perguntaria: você tem twitter, myspace, facebook, flickr, plurk, shelfari, etc., etc. etc.? Mas sempre tem alguém que pergunta: você tem orkut? Pois é, um clássico. E isso não significa que a pessoa, ao fazer essa pergunta, não tenha, de repente, uma conta no flickr ou no facebook, o surgimento em massa de aplicações de mídia social foi tão grande que tal pergunta acaba se tornando desnecessária, talvez se pergunte num futuro próximo: você participa de alguma rede social? E talvez alguém responda: sim, eu tenho um meadiciona. E nesse estará dispnível todo o índice de sites de rede social do qual a pessoa faz parte.
E para gerenciar tudo isso? Boa pergunta. É bem provável que a resposta esteja nos novos mecanismos e/ou softwares (e muitos deles já existem) que possibilitam o gerenciamento de vários aplicativos ao mesmo tempo. Daria como exemplo o twhirl, intitulado “The social software client”, que permite gerenciar várias contas em diversos sites de microblogging. Sem dúvida um assunto muito interessante a ser explorado e refletido para, quem sabe, trazer, amanhã, as respostas sobre o hoje.
CC, CC e outras tendências
by Marcelo Muraro on dez.23, 2008, under pessoal, sociedade e mídia
Para quem trabalha com informática há mais de 15 anos, como é o meu caso, é impressionante observar a evolução e a (re)volução que esse “processo evolutivo” vem causando na sociedade de um modo geral. A mim, especificamente, que pude acompanhar este cenário desde o início da década de 1990, enquanto participante e observador, notei que essa evolução passou do hardware para o software e agora tem ocorrido uma espécie de “disseminação” da produção de software e, mais importante, a possibilidade de softwares distintos poderem trabalhar concomitantemente em função de determinada aplicação.
Isso é o que se pode chamar de ambiente colaborativo e a própria inquietação desse ambiente deu origem a termos muito interessantes que devem ser estudados a fundo como Cloud Computing, Creative Commons, entre outras tendências. Basicamente dois conceitos básicos: A “computação nas nuvens”, cujo processo e resultado estão disponíveis na rede, e a licença creative commons, que permite a livre circulação da informação com alguns direitos autorais preservados. Isso, sem dúvida, amplia a noção do “público” bem como a necessidade de que todos devem contribuir e respeitar para que determinado projeto possa antender a um número de pessoas cada vez maior.
O que me inspirou a escrever sobre esse assunto foi o diretório de plugins do WordPress (uma porção de scripts e programas que tornam o WordPress muito mais funcional e divertido), feitos por pessoas e equipes distintas ao redor do mundo, gratuitos e disponíveis na rede (nas nuvens). Esse conceito (em termos práticos) é novo para mim, assim como outras coisas que pretendo experimentar mais a fundo. Não apenas o conceito, mas a forma como isso é colocado aos usuários, você pode ter acesso ao código fonte e contribuir com sugestões e/ou informações adicionais que favoreçam ao projeto como um todo, fantástico! Acredito ser esse momento o princípio de um futuro muito promissor, verdadeiramente colaborativo e, quem sabe, seja esse o modelo que possa sair do virtual e ser praticado também no ambiente presencial.
Enquanto isso, estou começando a conhecer os tais plugins disponíveis para WordPress, ainda na difícil tarefa de (re)começar. Porém, ainda com um certo entusiasmo. Vamo que vamo!