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Eu, Daniel Blake: a realidade-dura mais próxima do que se imagina

“Quando a dignidade é perdida, tudo está perdido” (Daniel Blake)

Há muito tempo venho refletindo sobre algumas questões. Uma delas é como o Estado mínimo e as privatizações são interpretadas por determinados setores da sociedade. A impressão que tenho é a de que apenas eu consigo perceber uma voraz perversidade do Estado privatizado para com o cidadão. A impressão que tenho é a de que só eu consigo notar o que há por trás deste processo nefasto que esmaga, sem o menor pudor, qualquer política que venha a assegurar qualquer benefício que seja ao cidadão descente, honesto, que paga seus impostos em dia ou que, ao menos, o desejaria faze-lo se tivesse condições (no caso daqueles que estão abaixo da média). Fico muito satisfeito em saber que não sou o único a enxergar isso. Fico contente em saber que há uma verdadeira legião que compartilha da mesma visão. Fico muito satisfeito em ter assistido Eu, Daniel Blake.

Se você compartilha da mesma opinião que tenho, mas ainda não assistiu ao filme, sugiro que assista. Entretanto, se ainda não assistiu e não crê que as coisas sejam da forma como estou afirmando aqui, então pare de ler esse texto agora mesmo. Isto não é pra você.

O filme dispõe de uma narrativa extremamente simples: um homem doente, sem condições de trabalhar, segundo os médicos, tem o benefício do auxílio doença suspenso e necessita provar sua condição física ao Estado para reaver o valor e prover o sustento. Este, por sua vez, privatizou a previdência social e a empresa em questão afirma que o homem já pode retornar ao trabalho. Ou seja, o protagonista passa o filme inteiro como refém da burocracia instalada de forma proposital a fim de faze-lo desistir o mais rápido possível daquilo a que tem direito, conquistado pelo tempo de contribuição.

O enredo é sutil, Blake, de repente, se vê em uma situação surreal, o dinheiro acaba e o Estado vira-lhe as costas. Este é, na verdade, um verdadeiro banho de água fria naqueles que costumam exaltar o Welfare State britânico. Dizendo que lá sim as coisas funcionam, que lá não é como aqui. Infelizmente, não é. Segundo o filme, é até pior.

Eu, Daniel Blake. Filme de Ken Loach

Blake não consegue crer naquilo que vê. Tanto na própria situação como na de outros que ele presencia nos momentos em que esteve nas repartições públicas. A dignidade o convoca a declarar guerra contra o Estado. Porém, o sonho não existe, a trama discute a realidade, a dura realidade. Blake grita, mas ninguém o escuta. É mais um grito entre tantos outros. Todos mudos.

Adorei ter assistido Eu, Daniel Blake. Foi um alento. Não estou enlouquecendo, apenas enxergo a realidade. Na verdade, aqui no Brasil ainda não está como na Inglaterra, mas é perfeitamente possível perceber que o país caminha nessa direção. Me lembro do meu amigo Jamil, que morreu no hospital, porque o hospital entendeu que ele não merecia lutar pela vida, que ele merecia morrer porque, afinal, o hospital entendeu que ele já estava mais próximo da morte do que da vida. Assim é também a lógica do Estado privatizado. Eu consigo enxergar perfeitamente toda a perversidade que está por trás deste processo. Daniel Blake passou por isso. Ao Estado privatizado, interessa saber o quanto o cidadão ainda irá poderá contribuir. Caso não possa, considere-se morto, apenas morra. Simples assim. Se você é um moribundo sem fígado (assim ficou o meu amigo Jamil), não compensa ao hospital encaminha-lo para o transplante de um fígado novo. Você vai morrer de qualquer jeito. Melhor apressar a morte do que prolongar a vida. Não compensa ao Estado privatizado pagar aposentadoria a velhos moribundos porque eles irão morrer de qualquer jeito. Então é melhor que morram logo. Não foi isso que o ministro de Finanças do Japão, Taro Aso disse em 2013? Não foi isso que FHC disse em 11/05/1998? Por acaso não é esse conceito que estão tentando “colar” nos dias de hoje? O de que aposentados são vagabundos? No filme, Blake, enquanto aguarda a avaliação obrigatória, é obrigado a recorrer erroneamente ao seguro desemprego. Lá ele é obrigado a cumprir uma rotina, tem que procurar emprego, distribuir currículos e provar ao Estado privatizado que ele está buscando trabalho para manter o benefício, mesmo sabendo que está impedido de trabalhar. Ou seja, a intenção do Estado privatizado é mostrar que não-dá-dinheiro-a-vagabundo. Alguma semelhança com com o discurso que se pratica aqui? Aquele papo de que quem recebe o Bolsa Família é vagabundo? Não é só aqui, lá também existe esse (pre)conceito perverso e Blake, quando deu por si, já havia caído na armadilha criada pelo Estado privatizado.

Eu, Daniel Blake. Filme de Ken Loach

Em suma, a intenção do Estado privatizado não é sair por aí matando velhos moribundos, aposentados e/ou pessoas em situação de miséria. O Estado privatizado enxerga números. Tudo e todos são números. O Estado privatizado se pergunta: como é possível enxugar, cortar custos, minimizar prejuízos, como se a sociedade fosse uma linha de montagem. O filme ilustra muito bem como o Estado privatizado dificulta ao máximo o acesso do beneficiário ao benefício. Cria regras duras, cruéis com o simples propósito de “enxugar a máquina”. E o que acontece se, por ventura, o beneficiário vier a falecer? Para onde vai o dinheiro a que ele teria direito? Nesse sentido é que fica clara a afirmação do ex-ministro japonês Taro Aso: é melhor que morram. Aí reside a perversidade. Estressar o beneficiário, acelerar a sua morte à medida em que retardam ou lhe negam o benefício. Simples assim.

Ao que tudo indica, a privatização do Estado é uma tendência. Pior, é um caminho sem volta. Rumo ao precipício. Muitos Blakes, lá e aqui, pagaram caro por isso a vida toda e vêem o Estado privatizado virar-lhe as costas justamente no momento em que mais precisarão. Eu, Daniel Blake é realidade pura, não indicado para quem deseja permanecer na ilusão.

Relações sociais: o passado e o presente-virtual

O motivo deste texto surgiu a partir de um ocorrido há alguns dias. Foi o estopim que me fez lembrar de outros exemplos que me levaram a uma reflexão mais aprofundada sobre o título-tema. O advento da internet tornou o computador (e também os dispositivos advindos dele) uma ferramenta, peculiar, de comunicação. Os aplicativos de redes sociais o consagraram com tal função. As relações de contato nesses aplicativos se transformaram em complexas redes de interconexão de pessoas (exclusivamente no ambiente virtual), o que, por si só, já é um universo interessantíssimo a ser abordado. Entretanto, as relações que se constituíram no passado e que, por algum motivo, retornaram ao presente de forma virtual, ou até mesmo presencial em alguns casos, trazem implicações intertemporais que mesclam aspectos do ontem e do hoje em uma coisa só. Eis os exemplos:

Tenho, ou melhor tinha, um antigo conhecido que chegou a ser meu “melhor amigo” na década de 80, na adolescência. Houve um distanciamento natural com o passar dos anos, na metade da década de 90, e uma re-aproximação, no ambiente virtual, na década seguinte. Um outro exemplo: Meu pai tinha um colega de trabalho de origem grega que morava no Brasil, que se casou com uma brasileira, tiveram um filho e se mudaram para a Grécia, em 1979, e perderam o contato conosco na década de 80, mas re-aproximaram-se virtualmente no início de 2011. Um reencontro virtual até emocionante após uma lacuna temporal de mais de 20 anos. Outro exemplo: Um primo que era muito amigo meu e não nos vemos presencialmente há mais de 15 anos. Nos re-aproximamos virtualmente há pouco mais de cinco anos, mas de uma maneira extremamente lacônica. Os três exemplos citados possuem, de certa forma, uma mesma estrutura: um passado presencial, uma lacuna temporal e uma re-aproximação virtual.

O passado, nas relações sociais, torna-se complexo quando associado ao ambiente virtual, por meio dos aplicativos de redes sociais, pois a noção de pertencimento entre ambos (o passado presencial e o contato no ambiente virtual) são incompatíveis entre si, apesar de conviverem juntos no presente. A lacuna temporal é responsável pela desconstrução da afinidade, que é o laço que, a rigor, mantém viva uma relação social (tanto presencial como virtual).

Reatar um antigo contato virtualmente pode ser perigoso, uma vez que corre-se o risco de anulá-lo definitivamente, dadas as “configurações” de ambos os lados no presente. Um re-enlace virtual traz à tona muitas das reminiscências do passado, mas também força o confronto de características do presente, como divergências de ordem política, social, religiosa, etc. Características essas que foram construídas individualmente durante a ausência de contato. De todo modo, seria leviano supor que todas as relações sociais com semelhante estrutura estão fadadas a ter o mesmo desfecho. Cada um dos três exemplos possui elementos próprios que os conduzem a desfechos distintos, assim como no período em que havia o contato presencial.

Além disso, em um ambiente de rede social (como o Facebook, por exemplo) há centenas de contatos ligados a um único usuário e que interagem entre si em uma linha do tempo. Ali todos estão no mesmo plano, independentemente das relações presenciais e de pertencimento, “tudo junto e misturado” e de forma atemporal, convivendo, inclusive com pessoas cuja interação iniciou-se de forma virtual, mas que está acontecendo ao mesmo tempo, junto com outras que trazem reminiscências do passado. Usuários que, às vezes, até interagem entre si.

Se a interação (virtual ou presencial) diária com pessoas constrói afinidades, modela conceitos (ou preconceitos muitas vezes) e gera convicções, é óbvio que essa construção de valores e sentidos vai esbarrar na construção de sentidos de outros, afinal, a pessoa pode ter uma leitura diferente do próprio passado em decorrência de experiências posteriores e que pode gerar divergências as características individuais desenvolvidas durante a lacuna temporal.

Isso, talvez, explique o que ocorre, nos meus exemplos, com pessoas cujo contato está findo há muitos anos e que, de repente, são reatados no ambiente virtual. São relações sociais de pouca intensidade, com pouca reciprocidade, pouco contato e interação mútua na rede. Na verdade, as reminiscências do passado são o único elemento disponível que tornam esses contatos possíveis.

De outro modo, uma pessoa é abruptamente “adicionada” ao cotidiano (virtual) de outra, acompanha o comportamento da mesma na rede social e manifesta-se positiva ou negativamente, ou nem se manifesta. A ausência presencial corrobora para que o contato permaneça com pouca intensidade e isso ocorre em dois dos exemplos acima, nos quais o contato persiste, mas há pouca ou nenhuma comunicação. No outro exemplo, a divergência de opiniões evoluiu para uma discussão que culminou no rompimento definitivo. Esse é típico exemplo do distanciamento entre passado e presente, no qual a pessoa faz uma re-leitura do próprio passado e a interação com o outro gerou o conflito.

Passado presencial, lacuna temporal e re-aproximação virtual são fatores que podem determinar o re-enlace de uma relação social, ou o fim da mesma. É necessário ter consciência de que uma relação baseada nos três itens será do tipo “museu”, na qual as reminiscências do passado serão o “fiapo-de-cabelo” que a sustentará. Afora isso, serão duas pessoas praticamente desconhecidas que, se não fosse por essas reminiscências, talvez nem se conhecessem. Portanto, a relação será de pouca intensidade. Mas, nada impede que a mesma possa evoluir para um novo convívio virtual ou até mesmo presencial. Mas, há que ser ter consciência de que tratar-se-á de uma nova relação, independentemente das reminiscências do passado.

Marketing viral, a gente vê por aqui

“Um mundo melhor, mais consciente e solidário”. De fato é a “Gota D’Água”!

Movimento Gota D'Água. Imagem: divulgação Logo do movimento Gota D'Água. Imagem: divulgaçãoMarketing viral na internet é uma atividade em constante ascensão e, grosso-modo, qualquer coisa pode ser propagada resultando algum efeito, positivo ou negativo. É, sem dúvida, um fenômeno a ser abordado. Mas, a meu ver, o maior problema do marketing viral é quando ele é usado de má fé ou para fins ilícitos como, por exemplo, publicidade gratuita, ou ainda para fins de manipulação da opinião pública, sendo este último o motivo de maior demanda usado pela grande mídia.

Me refiro a este “Movimento Gota D’Água“, uma “entidade” que, da noite para o dia, aflorou na rede  e arrebanhou praticamente 100% do público usuário de redes sociais. E não é para menos, o assunto é polêmico: a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Não quero me aprofundar no mote da campanha, mas usinas hidrelétricas são uma forma agressiva de se produzir energia elétrica, causam impacto ambiental, geram consequências irreversíveis ao meio-ambiente e, no caso de Belo Monte, um impacto social. Acredito que isso seja consenso e, de todo modo, não estou muito a par desta obra dentro do cronograma do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal (do PT) e essa me parece ser a questão maior: o PT.

De repente, a criação de uma usina hidrelétrica é um problema ambiental/social. De repente, há uma “mobilização nacional” em favor de uma região do país (o Estado do Pará) que, normalmente, é esquecida pela opinião pública. De repente, uma representante da grande mídia resolve “vestir a camisa” e sair em defesa de um movimento que até antes de ontem não existia. Tudo muito “de repente” para o meu gosto.

Ao acessar o site do Movimento, na página Quem Somos (única página informativa do site), apenas quatro pequenos parágrafos bem pouco esclarecedores afirmam que a “missão da Gota D’Água é comover a população para causas socioambientais utilizando as ferramentas da comunicação em multiplataforma” e que o movimento “surgiu da necessidade de transformar indignação em ação” e com o objetivo de “usar estas inovações para seduzir e mobilizar a sociedade para causas socioambientais”, ou seja, um movimento criado exclusivamente para fazer marketing viral, com grande infra-estrutura, apoio de diversos atores globais (globais da Globo, por sinal). Tudo muito “de repente”.

Infelizmente, o site não dispõe de mais informações acerca deste “projeto”, diz que o mesmo “apoia soluções inteligentes, responsáveis, conscientes e motivadas pelo bem comum” e ainda “é uma ponte entre o corpo técnico das organizações dedicadas às causas socioambientais e os artistas ativistas”, que o “braço técnico desta campanha é formado por especialistas ligados a duas organizações de reconhecida importância para a causa: ‘Movimento Xingu Vivo Para Sempre‘ e o ‘Movimento Humanos Direitos‘”. Esse último, aliás, cujo nome foi cunhado em 1999/2000 (se não me engano) por Paulo Maluf, durante um chat no UOL, com a famosa frase: “direitos humanos são para os humanos direitos”.

Mas, voltando ao assunto, o que são estes três movimentos? São ONG’s? Financiadas por quem? Coletivo de ações e movimentos sociais? A partir de quem? Existe algum registro de Pessoa Jurídica? Quem está por trás disso? Notei que, em nenhum dos sites, há qualquer referência a trabalhos existentes e notoriamente conhecidos como defensores dos direitos humanos, como, por exemplo, a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos ou mesmo a Avaaz.

Pelo visto, estes são movimentos calcados basicamente na divulgação via internet. Sendo assim, procurei informações no Registro.BR e vi que o domínio do movimento Gota D’Água é do ator Sérgio Passarela Marone, criado em 09/2011. Já o do Xingu Vivo foi criado em 09/2010 e está em nome de um tal Laboratório Brasileiro de Cultura Digital. O  do Humanos direitos pertence ao Instituto Humanitare e foi criado em 02/2011. Um ator paulista da Globo, algumas empresas (nenhuma delas ligada a região norte do país), um instituto sediado em São Paulo/SP ligado à ONU e outro ligado ao MinC. Curioso que nenhum destes nomes supracitados (com exceção do ator) são explicitados em nenhum dos sites/projetos em questão.

Vale ressaltar também uma outra curiosidade: esta não é a primeira vez que a Globo se posiciona de forma contrária a uma obra do PAC. Anos atrás (em 2007), o bispo dom Cappio iniciou uma greve de fome em sinal de protesto à referida obra e com grande repercussão pela Globo. A atitude de dom Cappio foi, inclusive, criticada pela própria igreja católica, mas a Globo deu todo apoio necessário. Outra curiosidade é que, mais uma vez, integrantes da igreja católica estão envolvidos em “protestos” desse tipo.

E tudo o que o Movimento Gota D’Água pede é “a sua assinatura”, em outras palavras: o seu voto. É óbvio que existem sérias restrições acerca da construção da usina de Belo Monte, existem formas de geração de energia limpa, renovável e hidrelétricas não é uma delas. Penso que uma entidade séria (que existe enquanto pessoa jurídica e não somente uma mera confusão de “coletivos”) poderia propor, de fato, um projeto de geração de energia renovável, alternativo à usina de Belo Monte, aí poder-se-ia conversar e debater de forma adulta e coerente e não apenas fazer barulho e manipular a opinião pública em favor de não-se-sabe-quem-ou-o-quê.

Sobre o vídeo, um “coletivo” de atores globais, com discurso pronto, incisivo, agressivo, indignados, porém, antes de tudo, são atores cumprindo um papel, bem no modelo novela-das-oito. Enquanto cidadão, me senti indignado, não pela questão da usina de Belo Monte, mas por ser coagido a aderir a um movimento por meio de frases como “Quem vai pagar?! Você vai pagar!”. Sim, pago, tenho pagado por muitos desmandos do governo, deste e dos outros, a sociedade brasileira vem pagando há décadas. Nem por isso sou consultado, nem pelo governo, nem pela Globo. E, de repente, a usina Belo Monte se tornou a grande vilã da vez? Sei…

Isso é claramente marketing viral de (baixo-)nível. Me lembra bem outro movimento: o Xô CPMF! Lembra dele? O site já não está mais no ar, mas o domínio pertence a um sujeito chamado Paulo Roberto Barreto Bornhausen, criado em 11/2010. Este sobrenome te lembra alguém? Ah, Jorge Bornhausen, do DEM, partido de oposição ao governo. Note que as ações são parecidas, a intenção é, de fato, sensibilizar a opinião pública, mas para um objetivo puramente político. A isso, dá-se o nome de manipulação, uma ferramenta bastante útil, posto que a sociedade brasileira é bastante manipulável.

Ações como estas não tem meu apoio. A usina de Belo Monte representa, sim, um agressão sócio-ambiental, todas as usinas representam e nunca “na história desse país” vi nem a Globo, nem os atores globais e nenhum movimento em prol da geração de energia limpa, solar ou eólica, que seja. Nunca vi estes se mobilizando pela demarcação de terras indígenas, pela reforma agrária, pela erradicação da pobreza e nem pela erradicação do trabalho escravo. Aliás, a contribuição da Globo na cultura e educação brasileira ao longo de quase toda existência dela é um verdadeiro desserviço à sociedade.

De todo modo, a opinião pública é manipulada porque é manipulável, os respectivos sites/projetos não oferecem mais informações porque ninguém lê e, por conseguinte, ninguém cobra. Os atores falam como se fosse de verdade porque tem quem os ouça. Vox populi vox Deo, paciência. Deixo aqui registrado meu protesto contra atitudes “globais” que considero ilícitas, marketing viral tem limite. Espero, quem sabe um dia, que a sociedade acorde e perceba que ser cidadão é muito mais que indignar-se via Facebook e assinar petições on line. Quando esse dia chegar, talvez, Globo e aliados percam sua “credibilidade”, amém.

Espaço do leitor:

Com o intuito de ampliar a discussão, colocarei aqui colaborações enviadas por leitores que contribuam com o assunto (atualizado periodicamente):

Jobs se foi. E agora?

Ontem (05/10/2011), ao saber da morte de Steve Jobs (fundador da Apple), pelo meu pai durante uma conversa via Skype, não consegui pensar em outra coisa, o que vai ser da Apple agora? Imagino que a mesma inquietação esteja na cabeça de muita gente, inclusive dos investidores.

Home page da Apple em 05/10/2011 Home page do site oficial da Apple desde a morte de Steve Jobs.

Em matéria de Apple, sou um leigo quase completo. Conhecia a marca sempre de ouvir falar, desde os anos 80. Sabia da existência dela e que vendia computadores diferenciados, bem mais caros por sinal e só. Por volta de 2002, tive de dar umas aulas particulares de Corel Draw para uma cliente minha e ela tinha um Mac, era um G3, aqueles tipo “bolinha”, lindo. Mas, minha dificuldade em operar aquele computador era grande, um desconforto que me fazia perguntar: por que as pessoas gostam disso?

Somente por volta de 2006/2007 que, lendo os boletins do Clube do Hardware, tomei ciência de quem era o “dono” da Apple, Steve Jobs. Nem o nome dele eu sabia. O que me atraía eram as notícias sobre a Apple, sempre polêmicas, ousadas. Aos poucos, fui me inteirando mais sobre o mundo da “maçã”. Dentre as notícias que chamavam minha atenção, a de que a empresa teria rompido com a IBM e passaria a adotar processadores da Intel e que, então, os macs poderiam ser multi-plataforma. Rodar, além do MacOSX, Windows, Linux ou até mesmo os três me interessou bastante. Até o afastamento dele da empresa, quando fez uma cirurgia para o tratamento do câncer no pâncreas. Já naquela época pensei: Se um cara desse morre, como ficaria a empresa?

Ainda em 2007, passei a lecionar em uma instituição de ensino que possuía laboratórios de computadores com Mac’s, me lembrei da minha antiga cliente. Comecei a usá-los mais cotidianamente, Mac’s mini e G3, sentia sempre o desconforto com a interface, mas me virava bem com eles. Na mesma época, estava pesquisando qual seria uma boa configuração de um notebook para mim. Considerei várias possibilidades, nunca um Mac. Conheci o Venâncio, em 2008, um fanboy da Apple e, dentre outros motivos (Apple estava em franca expansão naquela época), não só passei a considerar a possibilidade de ter um Mac como adquiri um MacBook e o tenho até hoje como equipamento principal.

Engraçado que, quando você tem um PC, por mais entusiasta que seja, é como votar no PSDB, ninguém te chama de “tucano” por isso e nem de “fanboy”. Mas, se você tiver preferência pelo PT, por exemplo, então você é um “PTista” com tudo de pejorativo a que o título tem direito. E se você tiver um Mac, então você é um fanboy, com tudo (de bom e de ruim) que o título tem direito, mesmo que você não seja um, como é o meu caso.

O fato é que me acostumei à interface do Mac e, mesmo ainda sentido algum desconforto, não me imagino voltando a usar Windows e isso me prende à Apple, porque não posso rodar o MacOSX em um PC (o resultado é horrível em termos de performance) e sou obrigado a usar o hardware da Apple, muito mais caro e que, eventualmente, apresenta problemas assim como os PC’s e o atendimento pós-venda da Apple é igualmente ruim. O fato de não ser um fanboy atrapalha bem pois me impede de enxergar um lindo “mundo-branco” ou de “alumínio-escovado”.

De todo modo, já sendo um Mac user, em 2009, ganhei o livro A Cabeça de Steve Jobs, num concurso promovido pela editora Arteccom e, aí sim, pude conhecer mais sobre o universo da Apple, a vida de Jobs e tudo o que isso significa para a sociedade atual. Apesar do livro ser celebrativo demais para meu gosto, ele mostra que Jobs, além de genial, era genioso, um sujeito arrogante, mal-educado, egoísta, ditador, controlador. Esse é o cara. Mas o que é o mundo dos negócios senão uma selva cheia dos piores monstros? Com a Apple não seria diferente, Jobs apenas defendeu seus interesses, a partir da maneira como entende e encara o mundo. O resultado tem dado certo, mas até quando?

Toda minha inquietação me faz pensar se a Apple merece toda essa algazarra promovida no mundo, toda essa mídia gratuita. Os produtos dela são realmente tudo isso ou tem excitação a mais história? Jobs foi, de fato, um visionário e teve condições de colocar suas idéias em prática e promover os resultados (tanto em equipamentos quanto em serviços e softwares). Foi responsável por uma série de inovações no mundo dos computadores. Sem a Apple, tudo seria mais lento nesse mercado, Apple fazia os concorrentes correrem atrás dela. Mas, o Mac enquanto produto vale todo esse “status”? O iPhone é realmente um aparelho diferenciado dos demais? E o iPad?

Na verdade, a Apple demora demais, às vezes, para anunciar uma novidade ao mundo. Mas, quando o faz, aquilo se torna um padrão (conhece o Magic Mouse? E o USB? E a iTunes Store?). A importância da Apple está mais para uma espécie de conceito do que a de, necessariamente, um produto de qualidade. Sim, porque a Apple, devido ao tamanho e ao alcance, já não controla satisfatoriamente o relacionamento com o cliente. Sou testemunha disso.

Em um comparativo com a Intel, por exemplo, sobre a qual li um belíssimo texto de Tom Wolfe acerca do fundador dela (e co-inventor do microchip), Bob Noyce, Jobs pode ser tranqüilamente comparado com ele em termos de importância, cada um na sua época, bem como todos os outros “gênios” que surgiram e que seguem apresentando inovações no mundo dos computadores.

Mas a Apple merece toda essa mídia gratuita? Minha resposta: Não. Ela trabalha para isso, é tudo estratégia de marketing (está dito no livro que li), só a inovação não é suficiente, é necessário manter os fanboys excitados ao redor do mundo todo o tempo. E, como resultado, eis a maior festa mundial quando a empresa lança novos produtos. Passei a chamar esses eventos de AppleFoolsDay. Não compartilho desse “espírito”, não acho que seja tudo isso (e o lançamento deste último iPhone exemplifica bem o fato) e tenho ressalvas acerca da forma “vertical” com que a Apple trabalha. Exploração predatória do mercado. Isso um dia acaba.

Daí refaço a pergunta do título deste texto: E agora? Jobs está para a Apple assim como Silvio Santos está para o SBT (Alguém coseguiu substituir o Lombardi?), assim como Lula está para o PT, assim como Edir Macedo está para a Igreja Universal, assim como Renato Russo está para a Legião Urbana (e ainda está), assim como Salvador Arena estava para a Termomecânica (conhece esse cara? Deveria). É impossível pensar a criatura sem o criador. No caso da Apple, isso fica mais evidente, a empresa quase faliu nos tempos em que ficou sem seu criador. Um sujeito que “metia o bedelho” em praticamente tudo, fazia questão da beleza, do design, da textura (tanto física como visual), ajudava a definir até a tipografia e o material usado na embalagem, pensava em como seus produtos poderiam proporcionar uma “melhor experiência” ao usuário (princípio básico da usabilidade, apesar do desconforto que sinto até hoje). Ao meu ver, essa é a essência da Apple. Coisa que só o dono é capaz de fazer e, infelizmente, o dono morreu.

Pensando por esse viés, o futuro da Apple é incerto. Certamente continuará a ser uma empresa bem sucedida, assim como a Microsoft, a Dell, a Intel, a Sony, a HP e tantas outras. Mas, jamais a Apple será a Apple, que agora entrará para a história. Os investidores também sabem disso.

Agora resta esperar para ver como será a nova fase da Apple. As bases da empresa estão intrinsecamente calcadas nos preceitos de Jobs. Como Luli Radfahrer disse numa palestra, “Apple tem mentalidade de empresa dos anos 70”. Tem mesmo! Você consegue imaginar o que significa mudar uma filosofia de décadas? Nem eu. E continuo a me perguntar: e agora?

O “Mustang” e “O Martelo” de Carlos Lopes ou depois de quebrar a “Dorsal”

“Recordar é viver”, diz o ditado e quando recordo de algo recorro à rede para conferir a quantas anda esse algo, principalmente quando lembro de algumas bandas que curtia na minha adolescência. Corro pra rede pra saber se elas ainda existem, o que estão fazendo, se tem MP3 pra baixar e “relembrar” os tempos idos.

Dia desses me lembrei de uma banda dos tempos do thrash metal dos anos 80 chamada Dorsal Atlântica (nome curioso, não?). Procurei na rede por MP3, discografia ou algo parecido (já que não tenho nada dela no momento), achei praticamente toda a discografia, inclusive os dois álbuns que mais gosto: Antes Do Fim (1986) e Dividir E Conquistar (1988). Momento lembrança, foi bom poder recordar alguns riffs de guitarra, alguns trechos de letras e comecei a me questionar: por que Dorsal Atlântica não era uma banda como todas as outras?

Dorsal Atlântica - Guga, Carlos e Cláudio Lopes. Foto: Divulgação. Dorsal Altântica com o terceiro baterista, Guga, ao lado de Carlos Lopes e, atrás, Cláudio Lopes. Foto: DivulgaçãoSobre a banda, um trio inicialmente formado por Carlos “Vândalo” Lopes (vocal e guitarra), Cláudio “Cromagno” Lopes (baixo) e Hardcore (bateria), lançou o primeiro disco solo em 1986, o Antes Do Fim, as letras eram em português (este é um dos detalhes) e o som era, apesar da péssima gravação, algo muito bem elaborado. Vocal e instrumental casavam muito bem (mais um detalhe). Além disso, a banda tinha um respeito muito grande dos fãs, nunca escutei ninguém falar mal dela, com exceção da qualidade de gravação dos discos. Costumavam se referir a Dorsal Atlântica com muito respeito. Certa vez, em 1992, assisti a um show da banda (o único), no Move’s Bar, em Santo André/SP. Esse é outro caso a parte, era um espaço minúsculo para shows situado no andar de cima de uma padaria no centro da cidade. Achei interessante a postura do Carlos “Vândalo” e a forma como ele se dirigia ao público, uma postura séria e de muito respeito. Max Cavalera (nos tempos do Schizophrenia) também era assim. E o público retribuía da mesma forma. Dorsal Atlântica não era uma banda como todas as outras.

Nunca fui atrás pra saber mais sobre a banda, gostava daqueles dois discos, em especial duas faixas: Guerrilha (do Antes Do Fim) e Vitória (do Dividir e Conquistar). Mas agora, depois de ouvir novamente o som, depois de tanto tempo, achei o trabalho dela genial, algo inédito no metal brasileiro (nunca existiu outra igual). Ouça a faixa Violência É Real, do Dividir…, ela conta toda uma história, com começo, meio e fim. Você não encontra um trecho como esse em lugar algum: “Nascemos com a missão de fazer um sonho viver, mesmo com pessoas e pedras fechando nosso caminho. Faz-se necessário que não tenhamos nenhuma paz. Porque alma descansada não briga jamais” (faixa Vitória). E algo assim, para poder ser absorvido pelo público brasileiro, só estando em português. Mostrei o trecho a minha esposa, ela gostou tanto que o escreveu como dedicatória em um livro que iria dar de presente a um colega de trabalho. Comecei a me perguntar, por que a banda acabou (e isso foi em 2005)? O que deu errado?

Dei uma busca na rede para saber um pouco mais sobre a história da banda e o que ela havia feito enquanto eu estive ausente. Achei informações na Wikipédia, no Youtube e em diversos sites como este em que tem até um relato do próprio Carlos Lopes. Dorsal Atlântica foi uma banda incomum, mas com o mesmo destino de tantas outras. O caminho foi duro nesses quase 20 anos de existência. Dorsal Atlântica foi uma banda profissional com infra-estrutura amadora, apesar de ter mais de 10 trabalhos gravados. Soma-se também o fato de ter começado (tardiamente) a cantar em inglês. A proposta era ótima, mas, na minha opinião,  faltou uma maior reflexão sobre o que se havia construído até o Dividir E Conquistar. O fato é que a banda perdeu o bonde, que culminou no próprio fim e, pelo visto, é fato consumado.

Se morreu, que haja, ao menos, um obituário decente

Internet é, antes de tudo, um repositório de informações e, na minha opinião, isso é o mais importante, ela é um grande baú no qual pode-se achar de tudo. Apesar dessa rica possibilidade, não consegui encontrar informações precisas e concentradas sobre Dorsal Atlântica (bem como sobre seu fim). Encontrei algumas, mas informações desencontradas. Depois de um tempo, acabei achando um vídeo de uma entrevista recente com o Carlos Lopes, já mais velho, e pude então saber mais detalhes do que anda fazendo atualmente. Carlos tem uma banda chamada Mustang, que surgiu um pouco “antes do fim” do Dorsal, um rock n’ roll mais light, com algumas canções em português, nada a ver com a antiga banda, parece que Carlos resolveu esquecer o passado. “Um dia você acorda e decide que não rola mais”, disse nesta entrevista.

Achei o ex-Dorsal um tanto simpático, descolado, disse ele que é jornalista, gosta de literatura, comanda um programa de metal numa rádio on line, além da atual banda, enfim, vai vivendo depois de ter “quebrado a dorsal”. Recolhi os endereços virtuais que o mesmo citou: uma revista on line chamada O Martelo, a rádio Venenosa FM (na qual disse ter um programa de Metal) e o site da Banda Mustang. Fui conferir cada um deles e então pude. de fato, entender porque Dorsal Atlântica acabou e porque Carlos Lopes é e será um eterno underground, apesar do conteúdo profissional. Ninguém vive apenas de boas ideias e intenções, know how é fundamental no mundo dos negócios e ter uma banda profissional é estar no mundo dos negócios. Uma banda como Dorsal Atlântica, com a repercussão que teve, com a proposta que apresentou e com o que pôde mostrar durante sua existência, não merecia ter encerrado as atividades. Porém, a gerência da banda, por força das circustâncias, ficou muito na mão do próprio Carlos, e se você visitar os sites descritos acima, vai entender parcialmente porque Dorsal Atlântica acabou.

A internet hoje é um veículo de propaganda extremamente barato, é interativo e permite uma série de possibilidades que são bem pouco exploradas, principalmente por bandas mais antigas. Aliás, os músicos, de um modo geral, são os que menos sabem interagir na rede. Triste, porém, verdade e não é só no Metal, a inexperiência é percebida em todos os estilos e oriundos de diversos países. Eu me decepciono sempre que me aventuro nesta busca. Sites horríveis, navegação ruim, falta de coesão visual, arquitetura de informação deficiente, bem como o próprio conteúdo e, sobretudo, pouco aproveitamento das apps de mídia social. Na revista de Carlos Lopes, O Martelo, isso fica evidente.

No ambiente virtual não existe mídia alternativa, o paradigma se rompe quando uma plataforma oferece possibilidades multimídia e de interação. Não há mais a necessidade de fanzines, como existiam na mídia impressa. Acredito que, sabendo utilizá-las, não há porque uma banda encerrar as atividades, mesmo que as tenha encerrado. Mas, conteúdo e suporte são coisas que necessitam andar juntas e em sintonia. Stanislavski diz que “a arte está do detalhe”, mas se todos os detalhes estiverem fragmentados, então não haverá um conjunto. Não havendo um conjunto, a informação não será comunicada em totalidade. E o objetivo da arte não é comunicar?

Se a comunicação se dá a partir do conjunto da obra e internet é o suporte que sustenta o conteúdo, então ambos devem complementar-se. Deve haver coesão. O conteúdo é o principal, mas é o suporte visual que o conduz. É necessário ter equilíbrio para que o produto final seja adequado e legível ao visitante do site.

Em suma, é bem mais fácil ser profissional na rede, sendo independente ou não, muito embora o mercado queira criar meios de limitar esta independência. Apesar das tendências, a rede ainda é democrática, é cada vez mais orgânica, tem espaço para todos e não há necessidade de competição. Dorsal Atlântica, com o nome e o reconhecimento que tem por parte dos fãs, poderia ser independente, desde que soubesse utilizar melhor os recursos da rede e depender, cada vez menos, do mercado, que, de fato, é bastante tendencioso e injusto. Quem sabe Carlos Lopes, um dia, mude de ideia e resolva reconstituir Dorsal Atlântica, ainda que seja “depois do fim”.

Xenofobia na rede

Xenofobia é um mal presente na humanidade. Ela está, como sempre esteve e, provavelmente, sempre estará, presente no comportamento humano. Faz parte do ser humano. Mas isso não significa que o mal deva ser incorporado à personalidade humana e transformar-se em regra de conduta.

Tweets preconceituosos Tweets preconceituosos publicados por Mayara Petruso provocaram reação da tuitosfera na noite de 31 de outubro de 2010.Apesar do Brasil querer se mostrar como um país em que não existe o preconceito, é fato notar que o mesmo existe e é bastante acirrado e sob várias formas: preconceito de raça/etnia, credo, gênero e também por região geográfica, sendo este último bastante envidenciado na rede no dia 31 de outubro de 2010, no final da apuração das eleições que deu vitória à candidata Dilma Rousseff, causando indignação dos eleitores de seu oponente, o candidato José Serra. Entretanto, alguns destes extrapolaram.

Comecei a perceber uma certa movimentação no Twitter, vários tweets utilizando a hashtag #nordeste. Naquele momento, fiquei sem entender o que estava ocorrendo e fui entender melhor só no dia seguinte. Uma usuária postou mensagens ofensivas, se referindo aos nordestinos de forma pejorativa. Ela e outros usuários, diga-se de passagem, mas foi o dela que acabou tendo maior repercussão.

A garota, Mayara Petruso, estudante de direito, classe-média-alta, incomodada com o resultado das eleições, resolveu culpar os nordestinos pela derrota de seu candidato com frases como “BRASILEIROS AGORA FODAM-SE! ISSO QUE DA, DAR DIREITO DE VOTO PRA NORDESTINO” e “Nordestino não é gente, faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado”. O efeito colateral disso foi enorme e a hashtag foi parar nos “Trending Topics” brasileiro, causando repercussão em nível nacional e, claro, tornando-se pauta dos principais veículos de comunicação. A estudante chegou a apagar os tweets e deletou seu perfil na madrugada. No dia seguinte, outra hashtag #orgulhodesernordestino surge nos “Trending Topics Wordwide” como reação ao ocorrido.

Tweets preconceituosos Tweets preconceituosos publicados por Mayara Petruso provocaram reação da tuitosfera na noite de 31 de outubro de 2010.É impressionante observar como as manifestações tomam corpo quando são disseminadas no Twitter. O próprio candidato José Serra conseguiu na justiça algo inimaginável às vesperas da eleição: direito de resposta no Twitter. Esta aplicação web é, sem dúvida, um divisor de águas na história da rede, dados os inúmeros casos ocorridos no mundo real a partir de informações postadas nele. Acredito que o sucesso da disseminação da informação, e respectiva reação, se dê pelo mesmo ser usado em “território híbrido”, ou seja, todos tem acesso, independentemente de onde são e esse foi o grande erro da ingênua estudante que, provavelmente, deve estar acostumada a dizer frases como estas em seu circulo de amizades e de convívio, mas quando replicou-as no Twitter, a informação foi além do seu círculo, atingindo usuários que não concordam com as mesmas. O efeito contrário veio à tona e muito mais forte, amplificado conforme o número de usuários revoltados com o ocorrido.

Mas voltando a questão da xenofobia, esta quando disseminada na rede, tomou um corpo muito maior do que se tivesse apenas sido veiculada em jornais ou programas de televisão. Na verdade, a veiculação desta notícia na grande mídia apenas a consagra como uma notícia digna de ser veiculada, mesmo porque ela já se tornou notícia muito antes de ser reconhecida como tal na grande mídia.

É uma pequena amostragem de como se comporta o cidadão de classe-média-alta, reacionário, preconceituoso. É claro que, felizmente, existem as exceções, mas este é, grosso modo, o perfil deste cidadão, que traz esse preconceito já há décadas, por conta da migração nordestina, em especial na cidade de São Paulo, é cultural. É uma ideia já um tanto antiga e fora de moda, pois São Paulo é uma cidade do mundo e a migração, atualmente, vem de todas as partes do Brasil e também de outros países da América do Sul, como Bolívia e Peru, além dos coreanos, que literalmente, invadiram a cidade, mas, por algum motivo, a migração nordestina ficou no imaginário do cidadão paulista/paulistano.

Tweets preconceituosos Tweets preconceituosos como os publicados por Mayara Petruso provocaram reação da tuitosfera na noite de 31 de outubro de 2010.Já houve na história manifestações preconceituosas até de políticos como o caso de Ronaldo Caiado, citado no livro do Fernando Morais sobre a W/Brasil “Na Toca dos Leões”, no qual o mesmo propõe “esterilizar os nordestinos”. Me lembro quando contei esta história a um antigo amigo, hoje apenas um conhecido, que, de pronto, disse pelo MSN: “kkkkkkkkkk Ronaldo Caiado pra presidente!!!”. Isso não quer dizer que estas pessoas irão de fato sair por aí esterelizando, afogando, matando nordestinos e afins; até porque não teriam coragem para tal. Mas, sentados diante do computador, no aconchego do lar, conectados a outros tantos iguais, cultivam estas ideias. Mas, enganam-se, vale dizer que São Paulo é o que é, graças a migração nordestina, os prédios que a ingênua estudante contempla em seu blog foram construídos às custas do suor, em grande parte, dos nordestinos que, não apenas se mudaram para São Paulo, mas também foram trazidos a São Paulo, atraídos pela falsa perspectiva de uma vida melhor. Da mesma forma como os brasileiros de classe-média aventuram-se em terras estrangeiras, como os EUA, Europa etc.

Xenofobia é assunto recorrente, mas a novidade é a repercussão pela rede. Na minha opinião, é muito bom que ocorra fatos como esse, pois nos faz refletir melhor sobre o preconceito e como as ideias, atos e iniciativas fluem na mente de pessoas de determinadas classes sociais. O Twitter nos permite adentrar em certas “regiões” sociais que antes eram impossíveis.

De outro modo, espero sinceramente que este caso continue repercutindo e que as autoridades tomem providências acerca da atitude desta estudante, acadêmica de um curso de direito e que, só por isso, deveria ter mais cuidado ao se referir ao povo de seu país. Este é também um excelente estudo de caso a ser abordado nos cursos de direito: a ética do acadêmico, que será o futuro advogado, juiz, desembargador. Como estes profissionais pretendem conduzir suas respectivas carreiras se não conseguem sequer resolver questões de foro íntimo. Brotadas, provavelmente, no seio familiar, a partir da conduta dos pais e familiares. Sem dúvida, um assunto muito bom para refletir.

Caiu na rede…

O assunto já está um tanto ultrapassado, afinal, a rede é rápida. Mas sempre é válido relembrar e refletir. Segue meu comentário acerca de acontecimentos reais em consequencia de ações virtuais ocorridas há alguns meses.

Uma das vezes que assisti ao filme 1984, baseado no livro de George Orwell, fiquei (além de impressionado, com o filme e com a possibilidade do autor do livro vislumbrar uma situação como aquela em plena década de 40) imaginando como algo parecido poderia ocorrer no “aqui e agora”. Orwell faz uma profunda análise sobre a imagem enquanto recurso na vida do ser humano. Fico imaginando se a rede não seria este “grande irmão”, cujos olhos são as câmeras, além de outras tantas coisas mais.

Estava eu, certo dia (na verdade, noite), fazendo o que está escrito neste tweet, e eis que acesso o vídeo das duas mulheres de Sorocaba (Juliana Cordeiro e Vivian de Oliveira). Para quem ainda não ficou sabendo, este post explica bem a questão (se bem que é difícil não saber sobre este assunto já que foi até matéria no Fantástico). Um caso como tantos outros que, normalmente, não se fica sabendo, a não ser pelo fato de ter se tornado público através da rede.

Isso me deixa bastante pensativo e aflito. É tão tênue a linha entre a fama e o anonimato, taí o caso Geise Arruda, da gaúcha Maria da Graça, dentre outros ocorridos de outras formas como as demissões do diretor de marketing da Locaweb Alex Glikas e do editor da revista National Geographic no Brasil, Felipe Milanez. E o resultado impressiona tanto que eu me pergunto: isso é real? Até porque o desfecho acaba sendo mais irreal do que a história que conduziu os personagens a ele.

Enquanto usuário da internet (e testemunha virtual), acompanho a evolução deste ambiente há algum tempo e noto que situações como essas são cada vez mais frequentes. Um verdadeiro circo de horrores, podendo ser comparado (dadas as devidas proporções) ao período medieval, no qual as mortes em praça pública eram motivo de festa. A questão central é a festa.

Esta comparação é perfeitamente possível, posto que a internet é um “espaço” novo que começa a ser povoado e no qual os individuos passam a fazer uso do mesmo, povoando-o com seus perfis, comentários, vídeos, imagens e demais conteúdos. Penso que só agora as pessoas estão, de fato, experimentando a utilização do ambiente virtual. Porém, a forma como se dá esta experimentação traz resultados inusitados, consequencias drásticas ao mundo real, dada a disparidade entre os mundos, um já mais adiantado e outro recém-nascido. Analisando por este ponto de vista, é aceitável a ocorrência de fatos como esses.

O ambiente virtual é um repositório de informações, estas inseridas pelos próprios usuários. A participação ativa dos internautas torna a rede orgânica e muito rápida. O Trending Topics do Twitter é uma prova disso, o fenômeno CALA BOCA GALVAO e o fato de ter sido notícia no New York Times mostra que a rede é intrínseca ao cotidiano do ser humano.

Se a rede é uma ferramenta e o ser humano tem o  poder de atuar em grupo e gerar resultados, resta saber agora o que fazer com ela. Os exemplos citados acima demonstram que o ser humano ainda não se deu conta da lei de causa e efeito da rede. Ou é isso ou as consequências da utilização da rede (também segundo os exemplos) mudarão o cotidiano, banalizando situações de críticas e (des)sensibilizando ainda mais a humanidade. Pelo menos, é isso que percebo, vale citar também o caso do garoto (filho do dono da RBS, no Rio Grande do Sul) que aplicou o “boa noite Cinderela” em uma colega e a estuprou. Os comentários coletados pela polícia via MSN comprovam minha afirmação.

E por fim me pergunto, aonde isso vai dar? Estaria a humanidade alimentando o “grande irmão”? Seria esse “grande irmão” o futuro aniquilador da humanidade, o dono da “rede”? Arrisco um palpite, acredito que esse talvez seja o caminho da própria condenção da sociedade. Por permitir e alimentar essa tendência, por usar a rede com pouca responsabilidade. Como está sendo provado, as consequências tem sido desastrosas. Afinal, se caiu na rede… é peixe.

Dez falsos motivos para não votar na Dilma

Quando criei este blog, procurei levar ao máximo o slogan “Idéias e inquietações no mundo virtual”. Por este motivo, publico poucos posts pela falta de tempo em encontrar temas e/ou motivos relativos ao tal slogan. Porém, outras coisas e idéias também me inquietam, uma delas é a política, e como. Jurei não me pronunciar a respeito das eleições este ano, mas depois de receber este texto do Jorge Furtado (fundador da Casa de Cinema de Porto Alegre e diretor do curta “Ilha das Flores”, além de “Saneamento Básico” e “Meu Tio Matou um Cara”, entre outros), não me contive. Dei uma busca no Google e vi que o mesmo foi postado em vários blogs. Será postado neste também. É, sem dúvida, um ótimo roteiro pra rebater algumas bobagens que andam circulando por aí. Enviei o mesmo pro meu pai (serrista convicto) e disse a ele: “encaminhe se achar relevante ou rebata com algo mais relevante, acaso encontrar”. Boa leitura:

Dez falsos motivos para não votar na Dilma
(
por Jorge Furtado – publicado em 25 de julho de 2010)

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo  a analisar os dez mais freqüentes.

1. Alternância no poder é bom.

Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre
a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

2. Não há mais diferença entre direita e esquerda.

Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas” , como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.

3. Dilma não é simpática.

Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

4. Dilma não tem experiência.

Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

5. Dilma foi terrorista.

Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

6. As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano.

Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

7. Serra vai moralizar a política.

Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista “no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC” foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela Operação Sanguessuga. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais
corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com engavetador da república, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de mensalão foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de  vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no mensalão do DEM. Roberto
Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

8. O PT apóia as FARC.

Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências
ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

9. O PT censura a imprensa.

Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país” . Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.

10. Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra.

Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.

(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

  • Geração de empregos: 
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões
  • Salário mínimo: 
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares
  • Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
 FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões
  • Risco Brasil: 
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos
  • Dólar:
 FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78
  • Reservas cambiais: 
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de 
dólares positivos.
  • Relação crédito/PIB: 
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%
  • Produção de automóveis: 
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%
  • Taxa de juros:
 FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%

(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:

José Serra começou sua campanha dizendo: Não aceito o raciocínio do nós contra eles, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

Fonte: Casa de Cinema - Porto Alegre/RS

Ontem, Orkut e hoje?

Aproveitei as férias de fim de ano para dar aquela geral no escritório, arrumar a bagunça, separar o lixo e resolver pendências necessárias para começar o próximo ano um pouco mais leve, ou pelo menos tentar.  E umas das coisas que acabei fazendo foi desenterrar minha conta no Orkut, que não usava há vários meses.

Normalmente não gosto de acessar o Orkut, porque perco muito tempo fuçando, procurando pessoas, vasculhando redes de amigos e quase nunca encontro algo que seja realmente interessante. Entretanto, essa atividade me fez refletir sobre a evolução dos aplicativos de mídias sociais: o que foi e o que está sendo.

Notei que o Orkut evoluiu pouco de alguns anos para cá, não teve grandes novidades, mas o impacto causado pelo mesmo foi semelhante à chegada do e-mail. Até hoje, sempre tem alguém que me pergunta: você tem orkut? Da mesma forma como ocorria acerca de uma década: você tem e-mail?

Repare que esse tipo de pergunta não ocorre mais em relação a outros aplicativos que sugiram depois do orkut. Alguém perguntaria: você tem twitter, myspace, facebook, flickr, plurk, shelfari, etc., etc. etc.? Mas sempre tem alguém que pergunta: você tem orkut? Pois é, um clássico. E isso não significa que a pessoa, ao fazer essa pergunta, não tenha, de repente, uma conta no flickr ou no facebook, o surgimento em massa de aplicações de mídia social foi tão grande que tal pergunta acaba se tornando desnecessária, talvez se pergunte num futuro próximo: você participa de alguma rede social? E talvez alguém responda: sim, eu tenho um meadiciona. E nesse estará dispnível todo o índice de sites de rede social do  qual a pessoa faz parte.

E para gerenciar tudo isso? Boa pergunta. É bem provável que a resposta esteja nos novos mecanismos e/ou softwares (e muitos deles já existem) que possibilitam o gerenciamento de vários aplicativos ao mesmo tempo. Daria como exemplo o twhirl, intitulado “The social software client”, que permite gerenciar várias contas em diversos sites de microblogging. Sem dúvida um assunto muito interessante a ser explorado e refletido para, quem sabe, trazer, amanhã, as respostas sobre o hoje.

CC, CC e outras tendências

Para quem trabalha com informática há mais de 15 anos, como é o meu caso, é impressionante observar a evolução e a (re)volução que esse “processo evolutivo” vem causando na sociedade de um modo geral. A mim, especificamente, que pude acompanhar este cenário desde o início da década de 1990, enquanto participante e observador, notei que essa evolução passou do hardware para o software e agora tem ocorrido uma espécie de “disseminação” da produção de software e, mais importante, a possibilidade de softwares distintos poderem trabalhar concomitantemente em função de determinada aplicação.

Isso é o que se pode chamar de ambiente colaborativo e a própria inquietação desse ambiente deu origem a termos muito interessantes que devem ser estudados a fundo como Cloud Computing, Creative Commons, entre outras tendências. Basicamente dois conceitos básicos: A “computação nas nuvens”, cujo processo e resultado estão disponíveis na rede, e a licença creative commons, que permite a livre circulação da informação com alguns direitos autorais preservados. Isso, sem dúvida, amplia a noção do “público” bem como a necessidade de que todos devem contribuir e respeitar para que determinado projeto possa antender a um número de pessoas cada vez maior.

O que me inspirou a escrever sobre esse assunto foi o diretório de plugins do WordPress (uma porção de scripts e programas que tornam o WordPress muito mais funcional e divertido), feitos por pessoas e equipes distintas ao redor do mundo, gratuitos e disponíveis na rede (nas nuvens). Esse conceito (em termos práticos) é novo para mim, assim como outras coisas que pretendo experimentar mais a fundo. Não apenas o conceito, mas a forma como isso é colocado aos usuários, você pode ter acesso ao código fonte e contribuir com sugestões e/ou informações adicionais que favoreçam ao projeto como um todo, fantástico! Acredito ser esse momento o princípio de um futuro muito promissor, verdadeiramente colaborativo e, quem sabe, seja esse o modelo que possa sair do virtual e ser praticado também no ambiente presencial.

Enquanto isso, estou começando a conhecer os tais plugins disponíveis para WordPress, ainda na difícil tarefa de (re)começar. Porém, ainda com um certo entusiasmo. Vamo que vamo!