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	<title>BLOG - marcelomuraro.com &#187; tecnologia</title>
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	<description>ideias e inquietações no mundo virtual</description>
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		<title>Vai um CMS aí?</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 00:47:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Muraro</dc:creator>
				<category><![CDATA[profissional]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Usar ou não usar um CMS. Em quais situações se deve desenvolver um site sob uma plataforma CMS (Content Management System ou Sistema de Gerenciamento de Conteúdo). Ponto de vista baseado em experiências profissinais acerca do assunto. Refletir e projetar é a melhor saída.]]></description>
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<p>Não sei o que ele achou da resposta, vou me reunir com ele ainda, só então saberei o que ele achou da minha observação, ou se vou levar um cartão vermelho. De todo modo, isso trouxe à tona uma inquietação que me incomoda há algum tempo: até que ponto um CMS torna as vidas de cliente e prestador de serviço mais fácil?</p>
<p>A questão é delicada e envolve algumas variáveis. A adoção de um CMS traz, de fato, praticidade, as atualizações podem ser feitas por qualquer pessoa, desde que seja devidamente capacitada, o conteúdo é ajustável ao layout. Ou seja, o resultado é bastante promissor, mas, na minha modesta opinião (infelizmente), utilização nunca é simples e descomplicada.</p>
<p>CMS&#8217;s, (Content Management Systems ou sistemas de gerenciamento de conteúdo) atualmente, são uma tendência e um estímulo para que o site fique mais &#8220;dinâmico&#8221; e esse estímulo faz com que os mesmos tenham, cada vez mais, recursos e isso torna os sistemas, de um modo geral, mais difíceis de se utilizar. E isso é válido para o cliente? Vai depender do quanto o cliente quiser investir em tempo para se dedicar à produção de conteúdo para o site.</p>
<p>A adoção de um CMS gera um custo maior tanto no desenvolvimento do site quanto no treinamento para uso do mesmo. Se o cliente tende a produzir conteúdo com certa periodicidade, o CMS pode se revelar uma solução definitiva, até porque os mesmos dispõem de inúmeros recursos adicionais (plugins) que permitem ao site ser cada vez mais funcional. Além disso, site atualizado constantemente gera índice de visitação bem maior.</p>
<p>Entretanto, essa solução não é para qualquer site, não porque os outros sejam tão pobrezinhos a ponto de não merecer a dádiva. É uma questão de projeto. Há sites que são projetados para ter um conteúdo mais dinâmico e que necessitam de um CMS. Entretanto, há outros em que a solução simplesmente não cabe, eu costumo chamar esses de sites referenciais. São aqueles que necessitam existir e figurar em buscadores, servem para divulgar o cliente, servem como forma de contato, ou seja, uma referência na rede, mas não vão além disso. Quando o cliente tem ciência desse &#8220;destino&#8221;, fica feliz com o resultado. Isso não significa que o site deva ser simplório, medíocre.</p>
<p>De outra forma, às vezes a temática sob a qual o site é desenvolvido pede que seja adotada uma solução que permita atualizações de forma mais rápida, que não se tenha que intervir diretamente no código html o tempo todo, que não haja necessidade de subir arquivos para o servidor remoto o tempo todo, enfim, uma solução para cada caso.</p>
<p>Ter essa noção de limites é fundamental ao contratar o prestador de serviço. Às vezes o mesmo, com o objetivo de querer oferecer o melhor, pode sugerir uma solução equivocada ao cliente e este, por sua vez, além de pagar mais, não vai se utilizar de todo o potencial que um CMS pode dar. Do contrário, constantes solicitações ao prestador de serviços acerca de alterações pode gerar atrito, desgaste de relação e até o rompimento da relação. Aprendi isso por experiência própria.</p>
<p>Mas e a &#8220;forma simples e descomplicada&#8221;? É uma afirmação verdadeira, se comparada à interferência direta no código html. Entretanto, a forma simples corresponde ao arroz-com-feijão, tentar incrementar o prato significa uma boa dose de dor-de-cabeça para o desenvolvedor, porque a forma simples leva o cliente a, naturalmente, esperar mais da aplicação e a limitação pode frustrar o mesmo.</p>
<p>O que fazer? Acredito que a solução esteja no planejamento. Gastar tempo planejando favorecerá muito o resultado, pois os detalhes serão pensados e calculados. Uma outra dica é informar o cliente sobre o que a aplicação faz e não faz, lembrá-lo que o layout do site foi criado para determinado objetivo e que, portanto, a aplicação será adaptada para o mesmo. Fugir do planejado implicará em retrabalho e custos extras. Reflita: Essa mudança é realmente necessária?</p>
<p>Enfim, adotar (ou não) um CMS é uma decisão que deve levar em conta vários aspectos, mas a principal delas é perguntar ao cliente: você realmente vai precisar disso? O resultado pode ser um tremendo ganho de qualidade, ou uma tremenda enrascada. Pesquise sem moderação antes de decidir.</p>

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		<title>Jobs se foi. E agora?</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 13:52:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Muraro</dc:creator>
				<category><![CDATA[sociedade e mídia]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[apple]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem (05/10/2011), ao saber da morte de Steve Jobs (fundador da Apple), pelo meu pai durante uma conversa via Skype, não consegui pensar em outra coisa, o que vai ser da Apple agora? Imagino que a mesma inquietação esteja na cabeça de muita gente, inclusive dos investidores. Em matéria de Apple, sou um leigo quase [...]]]></description>
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<a href="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/diversas/steve-jobs.png" title="Home page do site oficial da Apple desde a morte de Steve Jobs." class="shutterset_singlepic9" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-center" src="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/cache/9__824x625_steve-jobs.png" alt="Home page da Apple em 05/10/2011" title="Home page da Apple em 05/10/2011" />
</a>

<p>Em matéria de Apple, sou um leigo quase completo. Conhecia a marca sempre de ouvir falar, desde os anos 80. Sabia da existência dela e que vendia computadores diferenciados, bem mais caros por sinal e só. Por volta de 2002, tive de dar umas aulas particulares de Corel Draw para uma cliente minha e ela tinha um Mac, era um G3, aqueles tipo &#8220;bolinha&#8221;, lindo. Mas, minha dificuldade em operar aquele computador era grande, um desconforto que me fazia perguntar: por que as pessoas gostam disso?</p>
<p>Somente por volta de 2006/2007 que, lendo os boletins do <a title="Clube do Hardware" href="http://www.clubedohardware.com.br" target="_blank">Clube do Hardware</a>, tomei ciência de quem era o &#8220;dono&#8221; da Apple, Steve Jobs. Nem o nome dele eu sabia. O que me atraía eram as notícias sobre a Apple, sempre polêmicas, ousadas. Aos poucos, fui me inteirando mais sobre o mundo da &#8220;maçã&#8221;. Dentre as notícias que chamavam minha atenção, a de que a empresa teria rompido com a IBM e passaria a adotar processadores da Intel e que, então, os macs poderiam ser multi-plataforma. Rodar, além do MacOSX, Windows, Linux ou até mesmo os três me interessou bastante. Até o afastamento dele da empresa, quando fez uma cirurgia para o tratamento do câncer no pâncreas. Já naquela época pensei: Se um cara desse morre, como ficaria a empresa?</p>
<p>Ainda em 2007, passei a lecionar em uma instituição de ensino que possuía laboratórios de computadores com Mac&#8217;s, me lembrei da minha antiga cliente. Comecei a usá-los mais cotidianamente, Mac&#8217;s mini e G3, sentia sempre o desconforto com a interface, mas me virava bem com eles. Na mesma época, estava pesquisando qual seria uma boa configuração de um notebook para mim. Considerei várias possibilidades, nunca um Mac. Conheci o <strong><a title="Réquiem Lenitivo: contrabaixo, macinstosh, suicídio e temas afins" href="http://blog.marcelomuraro.com/requiem-lenitivo-contrabaixo-macinstosh-suicidio-e-temas-afins/" target="_self">Venâncio</a></strong>, em 2008, um fanboy da Apple e, dentre outros motivos (Apple estava em franca expansão naquela época), não só passei a considerar a possibilidade de ter um Mac como adquiri um MacBook e o tenho até hoje como equipamento principal.</p>
<p>Engraçado que, quando você tem um PC, por mais entusiasta que seja, é como votar no PSDB, ninguém te chama de &#8220;tucano&#8221; por isso e nem de &#8220;fanboy&#8221;. Mas, se você tiver preferência pelo PT, por exemplo, então você é um &#8220;PTista&#8221; com tudo de pejorativo a que o título tem direito. E se você tiver um Mac, então você é um fanboy, com tudo (de bom e de ruim) que o título tem direito, mesmo que você não seja um, como é o meu caso.</p>
<p>O fato é que me acostumei à interface do Mac e, mesmo ainda sentido algum desconforto, não me imagino voltando a usar Windows e isso me prende à Apple, porque não posso rodar o MacOSX em um PC (o resultado é horrível em termos de performance) e sou obrigado a usar o hardware da Apple, muito mais caro e que, eventualmente, apresenta problemas assim como os PC&#8217;s e o atendimento pós-venda da Apple é igualmente ruim. O fato de não ser um fanboy atrapalha bem pois me impede de enxergar um lindo &#8220;mundo-branco&#8221; ou de &#8220;alumínio-escovado&#8221;.</p>
<p>De todo modo, já sendo um <em>Mac user</em>, em 2009, ganhei o livro <strong>A Cabeça de Steve Jobs</strong>, num concurso promovido pela <a title="Editora Arteccom" href="http://www.arteccom.com.br" target="_blank">editora Arteccom</a> e, aí sim, pude conhecer mais sobre o universo da Apple, a vida de Jobs e tudo o que isso significa para a sociedade atual. Apesar do livro ser celebrativo demais para meu gosto, ele mostra que Jobs, além de genial, era genioso, um sujeito arrogante, mal-educado, egoísta, ditador, controlador. Esse é o cara. Mas o que é o mundo dos negócios senão uma selva cheia dos piores monstros? Com a Apple não seria diferente, Jobs apenas defendeu seus interesses, a partir da maneira como entende e encara o mundo. O resultado tem dado certo, mas até quando?</p>
<p>Toda minha inquietação me faz pensar se a Apple merece toda essa algazarra promovida no mundo, toda essa mídia gratuita. Os produtos dela são realmente tudo isso ou tem excitação a mais história? Jobs foi, de fato, um visionário e teve condições de colocar suas idéias em prática e promover os resultados (tanto em equipamentos quanto em serviços e softwares). Foi responsável por uma série de inovações no mundo dos computadores. Sem a Apple, tudo seria mais lento nesse mercado, Apple fazia os concorrentes correrem atrás dela. Mas, o Mac enquanto produto vale todo esse &#8220;status&#8221;? O iPhone é realmente um aparelho diferenciado dos demais? E o iPad?</p>
<p>Na verdade, a Apple demora demais, às vezes, para anunciar uma novidade ao mundo. Mas, quando o faz, aquilo se torna um padrão (conhece o Magic Mouse? E o USB? E a iTunes Store?). A importância da Apple está mais para uma espécie de conceito do que a de, necessariamente, um produto de qualidade. Sim, porque a Apple, devido ao tamanho e ao alcance, já não controla satisfatoriamente o relacionamento com o cliente. Sou testemunha disso.</p>
<p>Em um comparativo com a Intel, por exemplo, sobre a qual li um belíssimo texto de Tom Wolfe acerca do fundador dela (e co-inventor do <em>microchip</em>), Bob Noyce, Jobs pode ser tranqüilamente comparado com ele em termos de importância, cada um na sua época, bem como todos os outros &#8220;gênios&#8221; que surgiram e que seguem apresentando inovações no mundo dos computadores.</p>
<p>Mas a Apple merece toda essa mídia gratuita? Minha resposta: Não. Ela trabalha para isso, é tudo estratégia de marketing (está dito no livro que li), só a inovação não é suficiente, é necessário manter os fanboys excitados ao redor do mundo todo o tempo. E, como resultado, eis a maior festa mundial quando a empresa lança novos produtos. Passei a chamar esses eventos de <strong>AppleFoolsDay</strong>. Não compartilho desse &#8220;espírito&#8221;, não acho que seja tudo isso (e o lançamento deste último iPhone exemplifica bem o fato) e tenho ressalvas acerca da forma &#8220;vertical&#8221; com que a Apple trabalha. Exploração predatória do mercado. Isso um dia acaba.</p>
<p>Daí refaço a pergunta do título deste texto: E agora? Jobs está para a Apple assim como Silvio Santos está para o SBT (Alguém coseguiu substituir o Lombardi?), assim como Lula está para o PT, assim como Edir Macedo está para a Igreja Universal, assim como Renato Russo está para a Legião Urbana (e ainda está), assim como Salvador Arena estava para a Termomecânica (conhece esse cara? Deveria). É impossível pensar a criatura sem o criador. No caso da Apple, isso fica mais evidente, a empresa quase faliu nos tempos em que ficou sem seu criador. Um sujeito que &#8220;metia o bedelho&#8221; em praticamente tudo, fazia questão da beleza, do design, da textura (tanto física como visual), ajudava a definir até a tipografia e o material usado na embalagem, pensava em como seus produtos poderiam proporcionar uma &#8220;melhor experiência&#8221; ao usuário (princípio básico da usabilidade, apesar do desconforto que sinto até hoje). Ao meu ver, essa é a essência da Apple. Coisa que só o dono é capaz de fazer e, infelizmente, o dono morreu.</p>
<p>Pensando por esse viés, o futuro da Apple é incerto. Certamente continuará a ser uma empresa bem sucedida, assim como a Microsoft, a Dell, a Intel, a Sony, a HP e tantas outras. Mas, jamais a Apple será a Apple, que agora entrará para a história. Os investidores também sabem disso.</p>
<p>Agora resta esperar para ver como será a nova fase da Apple. As bases da empresa estão intrinsecamente calcadas nos preceitos de Jobs. Como <a title="Luli Radfahrer" href="http://www.luli.com.br/" target="_blank">Luli Radfahrer</a> disse numa palestra, &#8220;Apple tem mentalidade de empresa dos anos 70&#8243;. Tem mesmo! Você consegue imaginar o que significa mudar uma filosofia de décadas? Nem eu. E continuo a me perguntar: e agora?</p>

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		<title>Sobre o &#8220;Mercado&#8221; e os &#8220;direitos&#8221; do consumidor</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Nov 2010 19:25:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Muraro</dc:creator>
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<p>Confesso que nunca (ou quase nunca) havia tido quaisquer problemas com atraso na entrega de faturas, boletos e demais contas pelos Correios. Tudo sempre chegou no meu endereço com a devida antecedência e se algumas destas não foram quitadas na data correta, foi por negligência minha. Entretanto, depois de me mudar para a cidade na qual resido atualmente, desde março de 2009, tive alguns problemas por conta de boletos entregues em atraso. Foram casos isolados, mas, dentre eles, o campeão é o da Unimed Inconfidentes, convênio médico ao qual eu e minha família fazemos parte.</p>
<p>
<a href="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/diversas/unimed-inconfidentes.jpg" title="Unimed Inconfidentes atrasa entrega de boleto de cobrança e, por lei, se exime de qualquer responsabilidade." class="shutterset_singlepic7" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/cache/7__224x153_unimed-inconfidentes.jpg" alt="Unimed Inconfidentes" title="Unimed Inconfidentes" />
</a>
Os boletos da Unimed Inconfidentes são entregues pelos Correios e os recebo sempre em cima da hora, muitas vezes no mesmo dia, às vezes apenas com um ou dois dias de antecedência. A sorte é que utilizo o serviço de <em>Internet banking</em> para quitá-los. Em outras situações, tive de ir pessoalmente ao escritório regional da Unimed e solicitar segunda via, já que a entrega do mesmo atrasou, lembrando que, certa vez, nem chegou a ser entregue. Entendo que este não deve ser considerado um &#8220;caso isolado&#8221;.</p>
<p>No mês passado, por descuido meu, a conta acabou não sendo quitada na data correta. Tive de solicitar um novo boleto e quitá-lo em dinheiro numa empresa de crédito, pegando fila e com todo aquele aborrecimento costumeiro. Já neste mês, a respectiva fatura chegou com nada menos que <strong>quatro dias de atraso</strong>, numa sexta-feira, quando fui olhar a caixa de cartas por volta das 17h. Não seria possível quitar o débito nem se quisesse/pudesse ir ao banco. Hoje (16/11/2010) fui à Unimed, expliquei o ocorrido e a funcionária me disse que posso solicitar o boleto via internet sem a necessidade de esperar a entrega física do mesmo pelos Correios e que, tendo esta alternativa, a Unimed não se responsabiliza pelo não pagamento do mesmo e, obviamente, não abre mão da multa nem tampouco dos juros.</p>
<p>Não sei o que você, leitor(a), acha disso. Eu fiquei estarrecido. A funcionária foi obrigada a ouvir todo aquele discurso de consumidor consciente e ciente dos seus direitos e deveres, que está sendo lesado no seu direto e etc. etc. etc. Ela me orientou a escrever uma carta de próprio punho que seria enviada à sede da Unimed Inconfidentes e só. Escrevi a tal carta e disse que iria procurar os meus direitos. Depois de receber um novo boleto (com a devida multa/juros) e quitá-lo na empresa de crédito. Lembrando que, na fila do caixa, havia um senhor com o mesmo problema que o meu e uma mulher, que estava lá por causa de uma duplicata do banco que também não havia sido entregue (coincidência?).</p>
<p>Mais tarde, liguei no escritório do Procon-MG da cidade em que resido e, se eu já estava estarrecido, fiquei perplexo quando a funcionária me disse: &#8220;infelizmente, quando a empresa dispõe de outra forma de acesso ao documento de pagamento (como a internet), o Procon nada pode fazer, é a lei&#8221;. E disse ainda: &#8220;não somos nós que criamos a lei&#8221;.</p>
<p>Digo novamente, não sei o que você acha disso, leitor(a). Eu acho um tremendo absurdo a empresa não se responsabilizar pela entrega física do documento de pagamento e atribuir a responsabilidade a terceiros (banco, correios etc.). Se é algo corriqueiro e existe uma solução paliativa, porque não informaram por meio de algum comunicado? Não houve nenhum informe sequer e os clientes, acredito que a grande maioria, não sabem disso! E o Procon é conivente? Sinto muito, não concordo com isso. Não sei qual é a lei que favorece a negligência de empresas como a Unimed Inconfidentes, mas seja qual for, lesa o consumidor e o Procon não deveria ser conivente com uma lei que estimula o prejuízo ao consumidor. Leis são leis, mas não sou obrigado a concordar com elas, principalmente quando ferem os direitos do consumidor. Uma pena que o Procon não pense da mesma forma.</p>
<p>Felizmente, a muleta de um pode ser arma do outro. Registrei duas reclamações no site Reclame Aqui, <a title="Unimed inconfidentes - Reclame Aqui" href="http://www.reclameaqui.com.br/865289/unimed-inconfidentes-ouro-preto-mg/envio-de-boleto-de-pagamento-em-atraso/" target="_blank">uma contra a Unimed Inconfidentes</a>, pela negligência e desrespeito ao cliente e <a title="Procon-MG - Reclame Aqui" href="http://www.reclameaqui.com.br/865326/procon-bh/conivencia-com-o-mercado/" target="_blank">outra contra o Procon-MG</a>, pela conivência com situações como essa.</p>
<p>Analisando por outro viés, é interessante observar como as empresas, de um modo geral, utilizam a internet e oferecem/impõem soluções &#8220;alternativas&#8221; às tradicionais. São soluções simples, práticas e relativamente baratas (a geração de boletos on line, por exemplo). Mas é mais interessante perceber o quão pouco (ou quase nada) as mesmas investem em informação ao cliente, avisando sobre essas &#8220;comodidades&#8221;, caso ocorra algum contratempo. De todo modo, é uma solução, que favorece à minoria. Há pessoas que não tem acesso à Internet (diga-se de passagem, são muitas). Nesse caso, o cliente gasta com transporte público, enfrenta fila, perde um tempo desnecessário, para sanar um problema que não foi criado por si próprio. Em outras palavras, a empresa investe pouco e cria uma solução barata que a exime de qualquer responsabilidade perante a lei. Perceba que este é um exemplo de mau uso da internet. Uma falha que lesa o consumidor e é amparada pelo poder público, e defendida pelo Procon, claro.</p>
<p>A exemplo dos bancos, quanto custa investir em auto-atendimento na internet em detrimento do atendimento presencial? Quanto o banco economizará com funcionários, equipamentos e infra-estrutura para cada cliente que optar por utilizar o <em>Internet banking</em>? Claro que isso favorece o cliente, desde que o mesmo esteja consciente dos mecanismos de uso da tecnologia. Do contrário, isso se torna uma armadilha e, fatalmente, o cliente acaba pagando a mais por isso.</p>
<p>A tecnologia está cada vez mais inserida na sociedade como um todo, isso é benéfico, mas é obrigação das mesmas investir em informação, auxiliar os clientes, ou seja, favorecer o acesso à tecnologia, mostrando todos os benefícios que ela pode oferecer, que são muitos, e não torná-la uma &#8220;armadilha&#8221; para clientes desavisados ou um mero paliativo que a exima de qualquer responsabilidade perante a justiça. Essa é uma forma predatória de gerar receita que traz mais prejuízos que benefícios. Há que se modificar este conceito mesquinho, transformando esclarecimento em satisfação do cliente. Insisto, uma pena que o Procon não pense da mesma forma.</p>

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		<title>A saga do prestador de serviços &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 13:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Muraro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Webdesigner/desenvolvedor versus cliente Os serviços de criação e desenvolvimento web são oferecidos no Brasil há mais de uma década e meia. Empresas começaram a buscar especialização neste campo, serviços passaram a ser oferecidos e o mercado cresceu, tanto que acabou inflando e ficou competitivo demais, saturado. Mas, com tanta mão-de-obra disponível, qual o perfil do [...]]]></description>
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<p>Os serviços de criação e desenvolvimento web são oferecidos no Brasil há mais de uma década e meia. Empresas começaram a buscar especialização neste campo, serviços passaram a ser oferecidos e o mercado cresceu, tanto que acabou inflando e ficou competitivo demais, saturado. Mas, com tanta mão-de-obra disponível, qual o perfil do cliente hoje?</p>
<p>Com mais de dez anos de experiência na área de criação e desenvolvimento para web, até hoje me pergunto: qual o perfil dos meus clientes? Qual o grau de conhecimento deles acerca da Internet? Qual o nível de interatividade possuem com a rede? De que forma eles a usam para gerar/complementar receita a seus negócios? E, por fim, o quanto eles valorizam o profissional responsável por trazem o negócio deles para a rede?</p>
<p>Quando analiso os fatos, concluo que o resultado é, no mínimo, frustrante. Meus clientes, e creio que este seja apenas um pequeno rol que representa a grande maioria dos clientes brasileiros, se pautam basicamente pelo investimento financeiro. Para eles, o melhor negócio resume-se na eficácia máxima com o mínimo de investimento, o maior lucro gerado com o menor valor investido. É cultural, é o jeito brasileiro de atuação no mercado. Com base neste cenário, os prestadores de serviço concorrem entre si tentando oferecer o melhor serviço ao menor custo possível. Dentre esses, me incluo.</p>
<p>Quando digo &#8220;oferecer um serviço com baixo custo&#8221;, me refiro a oferecer um serviço interessante ao cliente com um preço acessível, algo palpável, para que o mesmo aceite e fique satisfeito com o resultado (isso me gera portifólio, tenho interesse nessa relação e faço minha parte). Mas, nem sempre isso ocorre, e por quê? Isso ocorre por um motivo que acredito ser básico: o cliente conhece pouco sobre o ambiente e as ferramentas em que pretende investir. Isso mesmo, em boa parte das vezes, o cliente é completamente leigo e, sendo leigo, qualquer proposta é viável. Se qualquer proposta é viável, em qual (ou quais) parâmetro(s) ele vai se basear para contratar um serviço? O custo. E apenas o custo, porque o benefício desse custo ele ainda não conhece. E, por mais que o prestador de serviço se esforce para mostrar-lhe os (possíveis) benefícios do investimento, são apenas argumentos que poderão se concretizar com o tempo, conforme o cliente aderir à utilização do ambiente virtual e acostumar-se com o mesmo, ou não.</p>
<p>Tento estudar e compreender essa icógnita, mas é difícil. O cliente quer bons resultados, mas quer investir pouco, ou seria, segundo ele: o necessário. Enfim: é possível trabalhar com prestadores de serviço que cobram menos e ter um resultado satisfatório? Acredito que sim. Porém, ao adotar essa postura, é necessário que o cliente se preste a entender os mecanismos de funcionamento da rede, os aplicativos e ferramentas, a filosofia de uso e passe, efetivamente, a utilizá-los sob a orientação do prestador de serviços. Sim, render-se à orientação do prestador de serviços. Afinal, será mais caro se o prestador tiver de fazer todo o trabalho. Mas o cliente reconhece o trabalho e o esforço do prestador e a parte dele na relação, a chamada: parceria?. Infelizmente, na maioria das vezes, não. Em geral, ele acha caro o valor e, dependendo da situação, acha que pode cuidar de tudo sozinho e diz: &#8220;quero apenas o site, bem simplizinho e que eu mesmo possa atualizar&#8221;. Como se essa fosse a tarefa mais fácil do mundo. Acredite, não é! Por acaso isso já aconteceu contigo, webdesigner/desenvolvedor?</p>
<p>A partir deste post, pretendo criar uma pequena série na qual discutirei o assunto, fornecendo exemplos e também dando a mão à palmatória no que diz respeito às minhas falhas. Espero poder ler comentários de outros profissionais, inclusive de outras áreas. Não sei porque, creio que há muito a compartilhar e desabafar.</p>

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		<title>Negociar com a Oi, dá nisso</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 23:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Muraro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com tantos exemplos por aí, apesar de tantas “vítimas” feitas por essas empresas de telecomunicações (oriundas da tenebrosa “Era FHC”), sempre há um panaca ainda por cair em algumas dessas tramóias. Dessa vez, este que vos escreve é o protagonista da história. Ao me mudar para o Estado de Minas Gerais, procurei me informar acerca [...]]]></description>
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<p>
<a href="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/diversas/oi-telemar.png" title="Empresas de telecomunicação no Brasil exploram o mercado de forma predatória. Ranços da &quot;era FHC&quot;." class="shutterset_singlepic3" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/cache/3__320x240_oi-telemar.png" alt="Confiar na Oi, dá nisso: decepção!" title="Confiar na Oi, dá nisso: decepção!" />
</a>
Com tantos exemplos por aí, apesar de tantas  “vítimas” feitas por essas empresas de telecomunicações (oriundas da tenebrosa  “Era FHC”), sempre há um panaca ainda por cair em algumas dessas  tramóias. Dessa vez, este que vos escreve é o protagonista da  história.</p>
<p>Ao me mudar para o Estado de Minas Gerais, procurei me informar  acerca dos planos disponíveis para telefonia fixa, celular, internet  banda-larga, etc. A única empresa que agrega todos estes serviços no Estado  é a Oi. Detentora da antiga Telemar e também da Velox, a empresa oferece uma  solução que, em princípio, parece ser interessante, tanto por agregar  todos os serviços em uma única conta como também pelo valor: o Oi Conta  Total. Além dessas vantagens, todas as linhas participantes do plano falam entre si gratuitamente, desde que esteja dentro da área de cobertura em que foi contratada.</p>
<p>Na época (março/2009), o serviço, que incluía, telefone fixo, dois celulares e  conexão banda-larga de 1Mb saía por R$ 169,00 ao mês, já com um  desconto de R$ 80,00 durante os primeiros 10 meses. Interessante o preço, não? Sim,  inclusive pela possibilidade de cancelamento do plano após os  tais 10 meses e recontratação de outro, conforme a promoção vigente.</p>
<p>Contratei o plano em março de 2009 (o Oi Conta Total 2). Tive aqueles problemas técnicos para fazer a conexão funcionar, o “modem grátis” não havia sido entregue  por conta de informações erradas de provedores (tanto do UOL quanto o da  própria Oi), essas coisas. Mas, no geral, até que funciona bem. Porém, saiba desde já, que o valor previsto de R$ 169,00  foi cobrado apenas em julho/2009, em todos os outros meses, os  valores vieram diferenciados do valor contratado, obviamente com a respectiva justificativa.  Inclua-se aí também o aumento anual autorizado pela Anatel, que a  funcionária não informa no ato da contratação.</p>
<p>Ao final dos 10 meses, a loja da cidade me procurou, oferecendo uma nova  promoção e como minha filha estava precisando de um celular, aderi ao  Oi Conta Total 3, que dá direito a mais um chip. Dessa forma, precisaria  de mais um aparelho. Como já estava com aquela “vontade” de ter um  smartphone (vinha cogitando a possibilidade há alguns meses), fui  verificar a tal promoção do iPhone pela Oi. Diz o slogan “E você ganha  até R$ 2000 de crédito para comprar seu iPhone”. Que interpretação você  faria dessa frase? Pois é, acreditei nela. Mais um otário caindo na &#8220;propaganda&#8221; da Oi.</p>
<p>
<a href="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/diversas/iphone-na-oi-e-bem-mais-caro.png" title="Propaganda esconde o valor real da promoção" class="shutterset_singlepic2" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-left" src="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/cache/2__320x240_iphone-na-oi-e-bem-mais-caro.png" alt="iPhone: na Oi é bem mais caro" title="iPhone: na Oi é bem mais caro" />
</a>
Ao ligar na Central de Vendas, o funcionário disse que, pelo meu plano, eu receberia um  crédito de R$ 1750 e que eu pagaria apenas a diferença, dependendo do  modelo que escolhesse, junto ao <a title="Link externo" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/www.mercadomovel.com.br');" href="http://www.mercadomovel.com.br/" target="_blank">Mercado Móvel</a> (a empresa que comercializa o  aparelho para a Oi). Pelas contas que fiz, optei pelo 3GS de 32Gb.  Pensei comigo: R$ 2799 menos R$ 1750 é igual a R$ 1049. Bom preço, não? Pois é&#8230;</p>
<p>O valor do meu novo plano havia ficado em R$ 209, (incluindo fixo, três celulares e  banda-larga de 1Mb). O funcionário ainda me disse, que, aderindo ao  plano de dados eu teria mais um desconto (e quantos descontos a Oi oferece), de R$ 209, o valor do plano reduziria para  R$ 175 e somado ao plano de dados, o total passaria a custar R$ 259 ao mês.  Claro que fechei! Achei que foi um ótimo negócio. Porém, não percebi que estava prestes a “cair da cama” e acordar do meu “sonho”.</p>
<p>Ao fechar o plano, o funcionário me deu um número de protocolo para  eu entrar em contato com o <a title="Link externo" href="http://www.mercadomovel.com.br" target="_blank">Mercado Móvel</a>. Ao ligar na referida empresa, a  primeira surpresa: Eu não pagaria &#8220;somente a diferença&#8221;, como havia sido  dito, iria pagar o valor integral do aparelho em até 10 parcelas no cartão de  crédito e me disseram que eu poderia escolher entre receber o crédito em forma de desconto pela fatura ou no próprio cartão de crédito. Mesmo achando a  história muito esquisita, a “vontade” de ter o iPhone era mais forte e me impediu de perceber  que estava para cair em uma emboscada. Resolvi comprar o aparelho e o mesmo foi entregue em alguns dias.</p>
<p>Ao ligar na Oi para fazer a habilitação do plano, percebi que já não  rolava mais aquele papo de R$ 259 por mês, e, claro, o funcionário não  conseguia esclarecer o porquê (eles nunca conseguem). Antes disso,  porém, havia ligado na Oi algumas vezes para saber mais a respeito de  como receberia o tal crédito. Me disseram que o mesmo viria somente  creditado na fatura, a partir da segunda mensalidade, depois de  contratado o plano de dados (a via pelo cartão de crédito estava descartada). Por não entender mais a situação e não ter ninguém que pudesse me explicar, resolvi aguardar a chegada das  próximas faturas. E elas chegaram.</p>
<p>Em valores, a coisa ficou assim: eu (achei que) devia pagar pelo Oi Conta Total 3, R$ 209 nos 10  primeiros meses (desde que fosse feito débito em conta corrente, mais  essa&#8230;), com a adesão ao plano de dados, o valor subiria para R$ 259 e eu  (achei que) ainda receberia o tal crédito pela aquisição do iPhone. Ledo engano.</p>
<p>A fatura de abril veio no valor de R$ 254 líquidos e nada de crédito. Já a fatura de maio veio no valor de quase R$ 300 e também sem  nenhum crédito. Fui à loja da Oi aqui na cidade, a funcionária  perdeu um tempão comigo sem conseguir entender aqueles valores todos e (adiantando informalmente que, segundo ela, o tal crédito não existe) me  orientou a ligar no *144. Liguei e a atendente disse não  ter acesso às informações sobre o plano de dados e sugeriu abrir uma  contestação (mais uma, aquela que eles nunca dão retorno). Não tem ninguém que possa esclarecer minhas dúvidas quanto ao plano de dados? Não seria este um direito meu? Pelo visto, não.</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>É triste, porém verdade. A moça da loja estava mais ou menos certa. Contratei o Oi Conta Total 3, que me garantia um desconto de R$ 140.  Ao, adquirir 0 plano de dados, no valor de R$ 85, e um  aparelho no valor de R$ 2799, na esperança de pagar somente R$ 1049, por conta do tal crédito de R$ 1750, o desconto que era  de R$ 140 aumentou para R$ 175 (eis o tal crédito, sacou?), um ganho de apenas R$  35 que, em 10 parcelas, dá um total de R$ 350, ou seja, o aparelho vai  sair por uma bagatela de R$ 2449. Praticamente, troquei seis por meia-dúzia. E ainda estou vinculado por 10 meses a um plano de dados  de 10Gb mensais, o qual não consigo usar nem 100Mb, já que passo a maior  parte do tempo usando o aparelho com a conexão WiFi e vale lembrar que  não tem cobertura 3G (somente Edge) na cidade onde resido e ainda que tivesse, a  velocidade é bem inferior ao WiFi, pude comprovar isso quando fui à Belo Horizonte/MG.  Como tudo tem um lado positivo, agora tenho um iPhone 3GS de  32Gb (por enquanto e se nada mais der errado <img src="../wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif" alt=":)" />)</p>
<p>Pois é! Negociar com a Oi, dá nisso!</p>
</div>

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		<title>O adeus ao Homem da Boa Sorte</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 21:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Muraro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[boa sorte]]></category>
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<p>Algum tempo depois, andando por Ouro Preto, paramos no café do espaço cultural da Fiemg, eis que surge um senhor todo vestido de brando e, educadamente, se ofereceu para mostrar seu trabalho. Eu, mau-humorado, de início não o reconheci e não dei muita atenção, achei que poderia ser mais um daqueles a nos aborrecer para comprarmos algo (e eu já estava aborrecido), mas minha esposa o reconheceu e ele também se lembrou de nós, me &#8220;desaborreci&#8221; por um instante. O trabalho dele consistia em anéis, brincos e outros objetos feitos com diversos metais, corais e pedras preciosas. Apesar de muito bonito, não compramos nada. Mais tarde, o encontramos na saída da cidade, pedindo carona, e o convidamos a ir conosco. Acabamos conhecendo sua casa, esposa, filha e o irmão, que passou por ali para visitá-los. Conheci seu ateliê e sua produção, bem como alguns experimentos de instrumentos musicais, os quais fez questão de me mostrar pra ver se, de repente, eu tinha alguma opinião ou contribuição a dar, já que soube que eu lido com música.</p>
<p>O senhor a que me refiro é Jamil Assaf. Libanês, chegou ao Brasil com cerca de seis anos de idade. Artesão da velha guarda de Belo Horizonte, na época da ditadura militar, foi um dos fundadores do Bairro Santo Antônio do Leite (em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto), bastante vivido e experiente na arte e ofício da vida. Eu sempre aprendia algo edificante com ele em pouco tempo de papo. Dizia que quando ia à Ouro Preto, &#8220;ia como um guerreiro&#8221;, referindo-se à energia ruim do lugar. Para ele, &#8220;sofrimento é importante, porque nos torna fortes&#8221;. Explicava-me sobre a matéria-prima do seu artesanato, aspectos históricos da região aonde morava (Passagem de Mariana), dizia que o Estado de Minhas Gerais se formou ali. Morava próximo à Mina da Passagem, de onde se extraía cerca de 500 kg de ouro por mês nos &#8220;áureos&#8221; tempos. Foi ele que me explicou uma das possíveis origens do termo &#8220;uai&#8221;, descobriu que foi por conta dos ingleses que diziam o tempo todo: &#8220;all right!&#8221; e os empregados, matutos, se apropriaram do termo e criaram a própria versão.</p>
<p>
<a href="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/diversas/dsc00266.jpg" title="Na companhia dos &quot;vizinhos&quot;, os macaquinhos saguis." class="shutterset_singlepic1" >
	<img class="ngg-singlepic ngg-right" src="http://blog.marcelomuraro.com/wp-content/gallery/cache/1__320x240_dsc00266.jpg" alt="Jamil Assaf na companhia de seu 'vizinho'. Foto: Marta Maia." title="Jamil Assaf na companhia de seu 'vizinho'. Foto: Marta Maia." />
</a>
Na última vez que fui visitá-lo, Jamil havia mudado de endereço, na mesma rua, uma casa com quintal de fundos para uma área de mata preservada, fez amizade com macaquinhos saguis e os recebia frequentemente, alimentando-os com frutas; as minhas filhas adoraram. Estava contente com a mudança, já que a casa antiga não tinha quintal. Mostrava o que havia conseguido plantar  em um pequeno pedaço de terra com pouco mais de 10 cm de profundidade, seu forno rústico para queimar objetos de cerâmica, cuja técnica lhe permitia atingir cerca de 1000 graus celsius. Porém, naquele dia, percebi que havia uma novidade na vida do Jamil, algo que ele ainda não havia tido a oportunidade de explorar: a tecnologia.</p>
<p>Logo que entramos, vi, pela janela, um computador em um dos quartos da casa, sem a tampa do gabinete, ele disse que havia ganhado há alguns dias, mas que ainda faltavam algumas peças (HD, memória RAM e fonte). Uma amiga que estava conosco ofereceu de presente um notebook antigo. Jamil estava animado com a novidade, comentou que já tinha uma conta no Orkut. O intuito era usar o equipamento para escrever suas memórias e, de repente, a internet para divulgar e ampliar seu trabalho e suas idéias. Dias depois, soube que ele estava um tanto chateado pois nem chegou a usar o notebook, que havia parado de funcionar, pediu para que eu desse uma olhada, um modelo Toshiba Tecra, bem antigo. Não havia muito o que fazer e deixei o equipamento guardado, até encontrar uma oportunidade para devolvê-lo. Entretanto, não houve tempo.</p>
<p>No dia 11 de fevereiro, quinta à noite, a esposa dele ligou e comentou que o mesmo estava hospitalizado há uma semana e que o estado de saúde dele era crítico, estava tentando transferí-lo para algum hospital em Belo Horizonte, disse que o fígado estava bastante comprometido e que era necessário um transplante, embora a equipe médica fosse incapaz de dar um parecer preciso sobre o caso. Na sexta, fui visitá-lo no hospital e fiquei impressionado com a situação em que Jamil se encontrava. Estava mal, com as pernas bastante inchadas, hemorragia no esôfago, com fome e sentido muita dor, a equipe do hospital parecia não dar muita importância ao paciente (outro assunto à parte&#8230;). Passei pouco mais de uma hora com ele, na esperança de atenuar-lhe o sofrimento. Entre os intervalos de crise de dor, conseguia conversar. Com a voz fraca, disse: &#8220;Você vê? Levaram o computador embora&#8221;. Fiquei surpreso: O de mesa? Como assim, Jamil? Não te deram a máquina? &#8220;Sim, mas a irmã do doador disse que não havia sido consultada e foi buscá-lo de volta&#8221;. Desfeitas à parte, Jamil não perdeu grande coisa, já que o equipamento estava incompleto. Ele lamentou também pela perda do notebook, mas &#8220;também, no estado em que me encontro, não poderia usá-los&#8221;. Notei que ele estava peculiarmente chateado com essa história, mas tinha algo mais &#8220;latente&#8221; que o incomodava naquele momento: a dor. Em uma das crises eles levantou os braços e disse: &#8220;Ô Deus, me livra desta dor!&#8221;.</p>
<p>O horário de visita havia acabado, me despedi dele e da família e saí. Ainda na porta do quarto, dei uma última olhada nele, estava pálido e transtornado, e de certa forma eu também. Saí de lá com vontade de chorar, me perguntando se a questão dos computadores não ajudou a agravar seu estado de saúde; se eu não poderia ter feito algo para ajudar (embora não soubesse como, sempre tive um &#8220;senão&#8221; em dar computadores velhos como presente, justamente por estarem velhos); se ele conseguiria sair vivo da situação em que estava. Passei o restante do dia bolado, com dor de cabeça e sem chegar a nenhuma conclusão.</p>
<p>Por volta de 6h30 do dia seguinte, o celular da minha esposa tocou. Ela se levantou correndo e atendeu. Eu estava um tanto insonado e a ouvi dizer, chorando: Ai não!! Jamil finalmente havia se livrado da dor, Deus lhe concedeu o pedido. Morreu por volta de 3h da madrugada, como o cavalheiro que sempre foi: no instante em que a esposa cochilou. Morreu com fome e com vontade de ter tido um computador.</p>
<p>Má sorte? Quem pode afirmar? É bem provável que não. Em Ouro Preto, Jamil é conhecido como &#8220;o Homem da Boa Sorte&#8221;. Decerto, a sorte o acompanhará, aonde quer que esteja.</p>

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