Marketing viral, a gente vê por aqui


“Um mundo melhor, mais consciente e solidário”. De fato é a “Gota D’Água”!

Movimento Gota D'Água. Imagem: divulgação Logo do movimento Gota D’Água. Imagem: divulgaçãoMarketing viral na internet é uma atividade em constante ascensão e, grosso-modo, qualquer coisa pode ser propagada resultando algum efeito, positivo ou negativo. É, sem dúvida, um fenômeno a ser abordado. Mas, a meu ver, o maior problema do marketing viral é quando ele é usado de má fé ou para fins ilícitos como, por exemplo, publicidade gratuita, ou ainda para fins de manipulação da opinião pública, sendo este último o motivo de maior demanda usado pela grande mídia.

Me refiro a este “Movimento Gota D’Água“, uma “entidade” que, da noite para o dia, aflorou na rede  e arrebanhou praticamente 100% do público usuário de redes sociais. E não é para menos, o assunto é polêmico: a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Não quero me aprofundar no mote da campanha, mas usinas hidrelétricas são uma forma agressiva de se produzir energia elétrica, causam impacto ambiental, geram consequências irreversíveis ao meio-ambiente e, no caso de Belo Monte, um impacto social. Acredito que isso seja consenso e, de todo modo, não estou muito a par desta obra dentro do cronograma do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal (do PT) e essa me parece ser a questão maior: o PT.

De repente, a criação de uma usina hidrelétrica é um problema ambiental/social. De repente, há uma “mobilização nacional” em favor de uma região do país (o Estado do Pará) que, normalmente, é esquecida pela opinião pública. De repente, uma representante da grande mídia resolve “vestir a camisa” e sair em defesa de um movimento que até antes de ontem não existia. Tudo muito “de repente” para o meu gosto.

Ao acessar o site do Movimento, na página Quem Somos (única página informativa do site), apenas quatro pequenos parágrafos bem pouco esclarecedores afirmam que a “missão da Gota D’Água é comover a população para causas socioambientais utilizando as ferramentas da comunicação em multiplataforma” e que o movimento “surgiu da necessidade de transformar indignação em ação” e com o objetivo de “usar estas inovações para seduzir e mobilizar a sociedade para causas socioambientais”, ou seja, um movimento criado exclusivamente para fazer marketing viral, com grande infra-estrutura, apoio de diversos atores globais (globais da Globo, por sinal). Tudo muito “de repente”.

Infelizmente, o site não dispõe de mais informações acerca deste “projeto”, diz que o mesmo “apoia soluções inteligentes, responsáveis, conscientes e motivadas pelo bem comum” e ainda “é uma ponte entre o corpo técnico das organizações dedicadas às causas socioambientais e os artistas ativistas”, que o “braço técnico desta campanha é formado por especialistas ligados a duas organizações de reconhecida importância para a causa: ‘Movimento Xingu Vivo Para Sempre‘ e o ‘Movimento Humanos Direitos‘”. Esse último, aliás, cujo nome foi cunhado em 1999/2000 (se não me engano) por Paulo Maluf, durante um chat no UOL, com a famosa frase: “direitos humanos são para os humanos direitos”.

Mas, voltando ao assunto, o que são estes três movimentos? São ONG’s? Financiadas por quem? Coletivo de ações e movimentos sociais? A partir de quem? Existe algum registro de Pessoa Jurídica? Quem está por trás disso? Notei que, em nenhum dos sites, há qualquer referência a trabalhos existentes e notoriamente conhecidos como defensores dos direitos humanos, como, por exemplo, a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos ou mesmo a Avaaz.

Pelo visto, estes são movimentos calcados basicamente na divulgação via internet. Sendo assim, procurei informações no Registro.BR e vi que o domínio do movimento Gota D’Água é do ator Sérgio Passarela Marone, criado em 09/2011. Já o do Xingu Vivo foi criado em 09/2010 e está em nome de um tal Laboratório Brasileiro de Cultura Digital. O  do Humanos direitos pertence ao Instituto Humanitare e foi criado em 02/2011. Um ator paulista da Globo, algumas empresas (nenhuma delas ligada a região norte do país), um instituto sediado em São Paulo/SP ligado à ONU e outro ligado ao MinC. Curioso que nenhum destes nomes supracitados (com exceção do ator) são explicitados em nenhum dos sites/projetos em questão.

Vale ressaltar também uma outra curiosidade: esta não é a primeira vez que a Globo se posiciona de forma contrária a uma obra do PAC. Anos atrás (em 2007), o bispo dom Cappio iniciou uma greve de fome em sinal de protesto à referida obra e com grande repercussão pela Globo. A atitude de dom Cappio foi, inclusive, criticada pela própria igreja católica, mas a Globo deu todo apoio necessário. Outra curiosidade é que, mais uma vez, integrantes da igreja católica estão envolvidos em “protestos” desse tipo.

E tudo o que o Movimento Gota D’Água pede é “a sua assinatura”, em outras palavras: o seu voto. É óbvio que existem sérias restrições acerca da construção da usina de Belo Monte, existem formas de geração de energia limpa, renovável e hidrelétricas não é uma delas. Penso que uma entidade séria (que existe enquanto pessoa jurídica e não somente uma mera confusão de “coletivos”) poderia propor, de fato, um projeto de geração de energia renovável, alternativo à usina de Belo Monte, aí poder-se-ia conversar e debater de forma adulta e coerente e não apenas fazer barulho e manipular a opinião pública em favor de não-se-sabe-quem-ou-o-quê.

Sobre o vídeo, um “coletivo” de atores globais, com discurso pronto, incisivo, agressivo, indignados, porém, antes de tudo, são atores cumprindo um papel, bem no modelo novela-das-oito. Enquanto cidadão, me senti indignado, não pela questão da usina de Belo Monte, mas por ser coagido a aderir a um movimento por meio de frases como “Quem vai pagar?! Você vai pagar!”. Sim, pago, tenho pagado por muitos desmandos do governo, deste e dos outros, a sociedade brasileira vem pagando há décadas. Nem por isso sou consultado, nem pelo governo, nem pela Globo. E, de repente, a usina Belo Monte se tornou a grande vilã da vez? Sei…

Isso é claramente marketing viral de (baixo-)nível. Me lembra bem outro movimento: o Xô CPMF! Lembra dele? O site já não está mais no ar, mas o domínio pertence a um sujeito chamado Paulo Roberto Barreto Bornhausen, criado em 11/2010. Este sobrenome te lembra alguém? Ah, Jorge Bornhausen, do DEM, partido de oposição ao governo. Note que as ações são parecidas, a intenção é, de fato, sensibilizar a opinião pública, mas para um objetivo puramente político. A isso, dá-se o nome de manipulação, uma ferramenta bastante útil, posto que a sociedade brasileira é bastante manipulável.

Ações como estas não tem meu apoio. A usina de Belo Monte representa, sim, um agressão sócio-ambiental, todas as usinas representam e nunca “na história desse país” vi nem a Globo, nem os atores globais e nenhum movimento em prol da geração de energia limpa, solar ou eólica, que seja. Nunca vi estes se mobilizando pela demarcação de terras indígenas, pela reforma agrária, pela erradicação da pobreza e nem pela erradicação do trabalho escravo. Aliás, a contribuição da Globo na cultura e educação brasileira ao longo de quase toda existência dela é um verdadeiro desserviço à sociedade.

De todo modo, a opinião pública é manipulada porque é manipulável, os respectivos sites/projetos não oferecem mais informações porque ninguém lê e, por conseguinte, ninguém cobra. Os atores falam como se fosse de verdade porque tem quem os ouça. Vox populi vox Deo, paciência. Deixo aqui registrado meu protesto contra atitudes “globais” que considero ilícitas, marketing viral tem limite. Espero, quem sabe um dia, que a sociedade acorde e perceba que ser cidadão é muito mais que indignar-se via Facebook e assinar petições on line. Quando esse dia chegar, talvez, Globo e aliados percam sua “credibilidade”, amém.

Espaço do leitor:

Com o intuito de ampliar a discussão, colocarei aqui colaborações enviadas por leitores que contribuam com o assunto (atualizado periodicamente):


127 respostas para “Marketing viral, a gente vê por aqui”

  1. Olá Henrique.

    Até onde sei, as obras já começaram. Para mim isso já se tornou um caminho sem volta. Acho que qualquer obra dessa envergadura (bem como suas implicações sócio-econômicas) causa necessariamente impactos, tanto ambiental como social, cultural, econômico, etc. Existem diversas variáveis a se analisar. Mas a única que está sendo levada em conta são aquelas que desconhecemos.

    Muito obrigado pela contribuição.

    abs!

  2. Essa campanha é intrigante mesmo, mas sou meio pessimista. Não creio que qualquer pressão da sociedade seja capaz de reverter a aprovação para a construção da obra. Mesmo que fique provado que a aprovação foi realizada sem as condições necessárias de análise de estudos e consultas com a população local.
    O que mais precisamos saber é o que está exatamente planejado, quais são as condicionantes e tudo mais, para poder cobrar do consórcio responsável a realização de todas as melhorias de infra-estrutura prometidas e planos de mitigação de impacto para a região.
    Para uma visão mais técnica, segue um link para acesso a documentos sobre o EIA (estudo de impacto ambiental), RIMA (relatório de impacto do meio ambiente) e outros estudos e planos relativos à construção de Belo Monte. Especialmente os planos de mitigação são importantes de serem conhecidos, pois se a obra de fato acontecer, algo que está cada vez mais se concretizando, é necessário que a sociedade saiba o que foi planejado e o que deve ser cumprido pela empresa administradora do empreendimento.
    http://siscom.ibama.gov.br/licenciamento_ambiental/UHE%20PCH/Belo%20Monte/

  3. Verdade, Maiara. Por isso acredito que, mesmo que consigam o tal milhão de assintaturas, não mudará em nada o andamento das obras. O que me faz concluir que o objetivo dessa campanha é outro.

    abraço!

  4. O que eu achei mais interessante e não sei realmente a razão (talvez o fato de poder tratar com mais sensacionalismo) é o fato de essa “mobilização” toda ocorrer meses depois do projeto ser aprovado.

  5. O mais importante neste momento, penso, seja levantar o problema. Não é votar imediatamente, mas entender o processo e solicitar que o assunto seja colocado, por exemplo, no Roda Viva ou em outro programa de alcance, onde quem respode questões seja um dos conhecedores do processo, respondendo por ele. O que ocorre por trás disso tudo? Atrás desse questionamento, podem estar muitos outros problemas que fogem ao nosso alcance. Provocar o questionamento e ajudar a encontrar a verdade dos fatos é o nosso papel pelas redes, nas escolas, na sociedade.

  6. @Jeane Santos Azevedo
    O vídeo é cheio de argumentos fracos ou mentiras. Observe bem os principais argumentos apresentados pelos atores da globo:

    Argumento 1 – “Quem vai pagar é o povo”. Resposta: Como assim? Os atores da globo descobriram ontem que obra pública é pago com o dinheiro de nossos impostos? Isso não é argumento.

    Argumento 2 – “A obra é muito cara”. Resposta: Mas ao mesmo tempo eles propõem energia eólica e solar que é absurdamente mais cara.

    Argumento 3 – “Somos contra hidroelétricas porque existem outras fontes de energia limpa”. Resposta: No Brasil existem apenas 3 opções viáveis nacionalmente: energia hidroelétrica, energia nuclear ou energia a carvão//termoelétrica (mega poluidoras). Geralmente as pessoas também não são simpáticas com energia nuclear, logo, só sobra construir essas usinas que geram uma poluição absurda. Somente uma criança tem direito de acreditar que é possível suprir a demanda energética do país através de energia dos ventos ou solar. Ser contra Belo Monte é uma coisa, mas ser contra qualquer hidroelétrica é mais complicado

    Argumento 4: “Os índios serão expulsos”. Resposta: Nenhum índio será atingido com a construção dessa hidroelétrica.

    Argumento 5: Impacto Ambiental. Resposta: Interessante como todos estão preocupados com os 640 km² desmatados pela usina, mas não ligam para os mais de 10mil km² desmatados anualmente na amazônia, com o intuito de aumentar os lucros dos pecuaristas e madeireiras da região.

    É uma vergonha que um professor, que deveria estimular a reflexão, se convencer por um vídeo apelativo e falacioso desse, que diz apenas: “não pense e assine”.

  7. Sim, Andrés, tem uma causa: resolvi escrever sobre esse motivo.

    Muito vem sendo feito para impedir essa obra, há décadas. Seria muita presunção supor que uma campanha será capaz de pará-la, ainda mais essa, embora eu não tenha dúvida que a meta do milhão será atingida. Acho que agora você compreende melhor a complexidade da situação, “os paradoxos”. Veja, por exemplo, este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=406Yb2hPlmI.

    abraço!

  8. Excelente o texto Marcelo Muraro. Quando vi a primeira vez o vídeo logo pensei: muita maquiagem (no sentido estrito e no figurado) para reclamar.

  9. Mas Marcelo, o fato de vc se centrar só nisso é por alguma causa também (o fato de vc achar, com ou sem razão, que é uma campanha contra o governo). Vc frissa isso, dai que tentei analisar a questão melhor.

    Enquanto isso, Belo Monte continua. Onde que fica a questão da hidrelétrica e como parar ela? Não é isso o mais importante?

    Toda campanha contra Belo Monte vai atingir negativamente o governo, não tem jeito. Ai o paradoxo.
    Eu sou contra Belo Monte mas a favor do governo, e ai? O que está antes? Pra vc, o governo.
    Por tanto, não tem como vc ser realmente contra Belo Monte, porque cai no paradoxo.

    Se vc tivesse falado: eu so a favor do Belo Monte, pra mim estaria tudo mais claro. Só quis entender a tua posição. E a medida que fomos falando fui entendendo. Não julgo vc. Cada um pensa o que quiser, e vê e deixa de ver o que a sua própria consciência permite. Dando prioridade ao que quiser também. Não é uma questão de eu ou vc estarmos certos ou errados. Só quis entender porque vc dava mais importancia ao video do que à obra, se era que vc estava realmente contra. E no caso, poder criticar o video, mas (se realmente é contra a obra) propôr (e fazer) outra coisa pra que a obra pare.
    Abraço

    Andrés

  10. Boa tarde,

    Qual é exatamente o problema? O que está sendo dito no vídeo é mentira? Achei excelente a divulgação pela internet. Muitas questões poderão ser levantadas através desse vídeo. Se der tempo levarei para a sala de aula. abraços

  11. Eu nao me importo se o modo de propaganda escolhido foi agressivo ou se a iniciativa nao foi “pura”, foi só pra ir contra o PT. O que me importa é que no fim das contas a coisa certa a ser feita é impedir a construção da hidrelétrica.

  12. ok, Marcelo. Eu acho que mesmo eu levantando certos assuntos vc poderia responder alguns deles que atingem exatamente o fato principal do seu texto. Mas claro, aceito o que vc quiser ou não responder.

    A questão se resume a quem é que está por trás da obra, se o governo, se um outro, sei lá, e dependendo quem for, defender ou não, é isso? Se o presidente fosse o Serra ai vc estaria comemorando o vídeo, provavelmente. Pra mim a questão principal é parar a obra. Se isso vai deixar bem na foto ao governo, a Globo, o Edir Macedo ou o Tiririca, pra mim é secundário.

    Espero que Belo Monte (que vc nem eu queremos, aparentemente) pare de vez, pela causa que for.
    Abraço

    Andrés

  13. Cara, você é Globofóbico.
    O movimento não tem nada a ver com a Rede Globo (como você mesmo minuciosa e obsessivamente apurou) mas você tenta forçar uma barra para esvaziá-lo.
    Sabe por quê? Porque, no fundo, você é a favor desse projeto nefasto (para a natureza, para os índios, para os que pagam imposto, para os sensatos) porque acha que as críticas ao Projeto são contra o Governo que aí está.
    É difícil convencer um “chapa-branca” como você mas tente perceber que nem toda crítica é conspiração contra o Planalto.
    Saudações Republicanas e um abraço.

  14. Não, Luan, você é que está bastante equivocado (embora não tenha cometido nenhum “erro gravíssimo”).

    O texto se refere exclusivamente à campanha “belo-MOTE”.

    abraço!

  15. Me desculpe por não te responder antes, Andrés. Não desisti, é que estão surgindo vários comentários com questões distintas e fica complicado responder pra todos. Não consigo ser multi-tarefa e acabo não dispondo de muito tempo… rs

    Você levanta vários aspectos nos teus comentários, vai além do que está sendo discutido no meu texto, fica difícil manter o foco porque existem, de fato, vários pontos envolvendo a obra. Este é um assunto bastante complicado e, em nenhum momento, pretendo discutir essa complexidade toda, não sou especialista no assunto. O foco do texto é exclusivo acerca da campanha, um ponto de vista de alguém que se sentiu incomodado com o que viu e, sobretudo, com o que não viu (e deveria ter visto). Uma campanha sobre algo muito sério tratada como se fosse uma espécie de brincadeira, um vídeo tratando de um assunto seríssimo de uma forma pretensamente “bem humorada” (e equivocada, na minha opinião) e, de outro modo, muito bem produzido (formato de novela-das-oito), com direito a strip tease. É apenas isso que meu texto pretende discutir e não o fato de eu ser contra ou favor à construção da usina. Se qual o modelo de geração de energia é mais ou menos limpa. Ou ainda o grau de impacto ambiental ou social. Preceba que cada um destes itens já daria pauta para uma discussão infindável, a coisa séria e longe de mim querer discutir tudo isso num único texto. Consegui te esclarecer, agora?

    Além disso, trabalho com desenvolvimento de conteúdo para web e o objetivo do meu blog é esse, por isso procuro abordar temas sempre nesse foco. Quando disse “não se iluda”, quis dizer que esta campanha visa apenas conseguir o tal milhão de assinaturas, não pretende conscientizar e nem explicar nada a ninguém. Vi na página da campanha no FB algo assim: “Bora conseguir o milhão pra evitar o absurdo que aquela maluca quer fazer”. E ainda não fazer nenhuma menção ao que já vem sendo feito, desde a década de 70? Sinto muito, Andrés, sem condições de eu apoiar uma campanha como essa. Fico em dúvida se eles querem realmente defender o rio Xingu ou fazer oposição ao governo. Tendo a acreditar na segunda opção, haja vista que ninguém ali é eleitor da Dilma, por exemplo.

    Enfim, assim como você, alguns outros leitores deste texto (que atingiu um nível de divulgação e compartilhamento muito além do que eu esperava) me cobram essa posição. Lamento, mas não tenho como dar esse retorno e nem me propus a isso. Peço desculpas se dei a impressão errada. Conto com sua compreensão.

    abraço!

  16. De modo algum, Fernando.

    A causa é nobre, o assunto é importante e petições on line são algo a se considerar e não é nada disso que eu discuto neste texto. A discussão que tento levantar é o fato de uma campanha ser praticamente “oca”, tendenciosa, grotesca (de certa forma). Infelizmente a campanha chamou minha atenção pro lado contrário. Uma pena, porque, com a grana, o espaço e o grau de influência dos famosos, eles poderiam ter feito um trabalho muito mais abrangente e, de fato, conscientizar a sociedade. Não foi o caso. Não creio que “qualquer” atitude seja válida. Se assim for, peguemos em armas, tomemos a região, matemos os funcionários, engenheiros, enfim. Por esse viés, então isso seria válido para interromper a obra? Acho que não.

    abraço!

  17. Esqueceram de citar que esse Movimentozinho Globais contra Belo Monte estão muito por fora, pois, desde 1975 já tem esse Projeto de uma Hidrelétrica lá. Por que agora aprecem contra isso??

    Vamos ver a Cronologia:

    1975
    Iniciado os Estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu.

    1980
    A Eletronorte começa a fazer estudos de viabilidade técnica e econômica do chamado Complexo Hidrelétrico de Altamira, formado pelas usinas de Babaquara e Kararaô.

    1989
    Durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro em Altamira (PA), a índia Tuíra, em sinal de protesto, levanta-se da plateia e encosta a lâmina de seu facão no rosto do presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz, que fala sobre a construção da usina Kararaô (atual Belo Monte). A cena é reproduzida em jornais e torna-se histórica. O encontro teve a presença do cantor Sting. O nome Kararaô foi alterado para Belo Monte em sinal de respeito aos índios.

    1994
    O projeto é remodelado para tentar agradar ambientalistas e investidores estrangeiros. Uma das mudanças preserva a Área Indígena Paquiçamba de inundação.

    2001
    Divulgado um plano de emergência de US$ 30 bilhões para aumentar a oferta de energia no país, o que inclui a construção de 15 usinas hidrelétricas, entre elas Belo Monte. A Justiça Federal determina a suspensão dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) da usina.

    2002
    Contratada uma consultoria para definir a forma de venda do projeto de Belo Monte.[10] O presidente Fernando Henrique Cardoso critica ambientalistas e diz que a oposição à construção de usinas hidrelétricas atrapalha o País. O candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva lança um documento intitulado O Lugar da Amazônia no Desenvolvimento do Brasil, que cita Belo Monte e especifica que “a matriz energética brasileira, que se apoia basicamente na hidroeletricidade, com megaobras de represamento de rios, tem afetado a Bacia Amazônica”.

    2006
    O processo de análise do empreendimento é suspenso e impede que os estudos sobre os impactos ambientais da hidrelétrica prossigam até que os índios afetados pela obra fossem ouvidos pelo Congresso Nacional

    2007
    Durante o Encontro Xingu para Sempre, índios entram em confronto com o responsável pelos estudos ambientais da hidrelétrica, Paulo Fernando Rezende, que fica ferido, com um corte no braço. Após o evento, o movimento elabora e divulga a Carta Xingu Vivo para Sempre, que especifica as ameaças ao Rio Xingu e apresenta um projeto de desenvolvimento para a região e exige sua implementação das autoridades públicas. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de Brasília, autoriza a participação das empreiteiras Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez nos estudos de impacto ambiental da usina.

    2009
    A Justiça Federal suspende licenciamento e determina novas audiências para Belo Monte, conforme pedido do Ministério Público. O Ibama volta a analisar o projeto e o governo depende do licenciamento ambiental para poder realizar o leilão de concessão do projeto da hidrelétrica, previsto para 21 de dezembro. O secretário do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, propõe que o leilão seja adiado para janeiro de 2010

    2010
    A licença é publicada em 1º de fevereiro, e o governo marca o leilão para 20 de abril

    2011
    Ibama concede ao Consórcio Norte Energia licença válida por 360 dias para a construção da infraestrutura que antecede a construção da usina

  18. A MESMA QUANTIDADE DE ENERGIA GERADA SE FOSSE EÓLICA, SAIRIA 10
    VEZES MAIS E EU GOSTO DO MEU PÃO FRANCÊS BARATO! POIS MEU VIZINHO MUITAS VEZES NEM TEM DINHEIRO PARA COMPRAR!! ENERGIA BARATA É A HIDRELÉTRICA OU NUCLEAR, ESCOLHAM!

    A todos os que aqui postam sua opinião aqui nesse blog contra Belo Monte ….que saibam que esse computador que vc esta usando é movido a energia eletrica que também mantem aceso aquele bela luminária. Mas, a população Amazônica na sua maioria está nesse momento em um casebre de palha iluminado por um candieiro feito de breu (espécie de resina) catado no mato não tem rádio pra saber o que esta acontecendo lá fora nem um computador pra postar aqui sua opinião; opinião que é usurpada por ONGueiros religiosos e atores que da Amazônia só conhecem a luxuosas pousadas.

    Eu queria entender o que esses ‘artistas’ entendem por alternativas para geração de energia, vamos as alternativas:

    Nuclear by Japão? Não precisa de comentários. Termoelétrica, mas vcs não são contra a emissão de poluentes?

    Eólica só funciona no litoral e em ilhas e é muito mais cara. Talvez eles achem que é possível fazer um acordo com os outros países e encher a cordilheira dos andes de cataventos? Algum voluntário eco-cha/to pra ir lá na montanha montar milhares de equipamentos?

    Energia solar? custa $ 2.000,00 cada célula foto voltaica capaz de acender uma lâmpada de 100w apenas.
    Nem seu PC funciona com isso. Talvez com os salários da Globo eles consigam pagar a conta!

    Fácil é só Globo parar de transmitir e pedir pra todos desligarem a TV e as torres de transmissão a noite, na hora das novelas. Todos os artistas tomarem banho frio, e ficarem no escuro. Todos os eco-chat/os que aderiram a modinha fazerem o mesmo, inclusive desligando o seus PCs pra contribuir pra economia de energia.

    E agora, descobrimos que quem está por trás desse vídeo são ONG internacionais que estão de olho em minérios que tem nessa região. Mas desde 1980, essa hidrelétrica já tem sido planejada.

    Mais ainda: ABIN identifica as ONGs estrangeiras que boicotam Belo Monte, veja em: http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.conversaafiada.com.br%2Fpolitica%2F2011%2F07%2F05%2Fabin-identifica-as-ongs-estrangeiras-que-boicotam-belo-monte%2F&h=HAQFvq7qaAQFBm-bH-IXqc2Bu459j3rKqw0qSBb6ekVkFAg

  19. Primeiro, um movimento que se chama GOTA D”AGUA dá a entender que alguma atitude recente fez parecer que Belo Monte não representa desenvolvimento para o brasil, como se tudo o que esta acontecendo em Belo Monte fosse algo como você disse Marcelo, REPENTINO.

    Mas não é camaradas, a gota d’agua já caiu a muito tempo. Desde a década de 90, com a reforma do Estado, quando o Brasil passa a ter a Privatização como base do novo estado que estava sendo reformado, essas politicas vem sendo implantadas, tendo como desculpa o tal Desenvolvimento, precarizando a condição de vida dos brasileiros.

    Para isso, se utilizam de obras “públicas” (enfase nas aspas) para sustentar esses empreendimentos privados. Assim é Belo Monte, assim são várias obras Brasil a fora. No Piaui, por exemplo, estão construindo 5 barragens ao longo do Rio Parnaiba, maior do estado, para beneficiar empresas com a Suzano e a Vale que estão se estalando aqui. No documento da Secretaria de desenvolvimento rural do estado, esta bem expresso qual barragens beneficiará cada empresa, exposto com nome e sobrenome.

    Porem, caro Marcelo, acho que VOCÊ COMETEU UM ERRO GRAVÍSSIMO. Está avaliando os movimentos que surgem pelos proprietários de suas paginas virtuais. Isso é inconcebível, assim como o marketing viral, que você tanto criticou nesse texto.

    Não sei se já esteve no Pará, ou se já teve contanto como movimentos sociais. MAs o Movimento Xingu Vivo Para Sempre, criticado pro você aqui, é um dos movimentos que esta há muito tempo na luta em defesa dos povos originários e do Rio Xingu. Não é um movimento que encerra nas redes sociais, e nem mesmo é um movimento que surgiu dela. É um movimento que constrói a pauta em defesa do Xingu concretamente.

    Não falo aqui dos Movimento Gota D’agua, que apesar das críticas que temos, ele também cumpre um papel nesse processo, fez e faz parte dele. Numa questão como essa, de interesse geral, não há espaço pra sectarismo. Nem falo do Movimento de Direitos humanos citado por você. Não falo por que não conheço, portanto, não teço criticas ao que não conheço.

    Por fim, acho que fazer uma avaliação precipitada dessa forma, pra mim, é no minimo uma incoerência (desculpa a sinceridade)

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